NEM PÃO, NEM SACOLA, NEM DINHEIRO… (Mc 6,7-13) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

prometheus  Três garantias tipicamente humanas: o pão, a sacola, o dinheiro… E o Mestre manda abrir mão das três, se realmente queremos evangelizar. O pão garante o alimento. Na sacola, vai o diploma, vão as filosofias, os planos pastorais, as linhas teológicas, o know-how e o savoir-faire. E o dinheiro? Eis o ídolo todo-poderoso que substitui a sede de Deus e parece abrir todas as portas e superar qualquer obstáculo.
De fato, com pão, sacola e dinheiro, temos a ilusão de onipotência, mas também – e pior! – a ilusão de que tudo resolveremos por nós mesmos. E isso tem nome: pelagianismo, a velha e sempre nova heresia. Com esforço e boa vontade, estamos salvos e salvamos o mundo inteiro. E, claro, dispensamos a Graça de Deus…
Em sua recente Carta apostólica, o Papa Francisco identifica duas manifestações do mundanismo na vida da Igreja. A segunda delas “é o neopelagianismo autorreferencial e prometeico de quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças e se sente superior aos outros por cumprir determinadas normas ou por ser irredutivelmente fiel a certo estilo católico próprio do passado. É uma suposta segurança doutrinal ou disciplinar que dá lugar a um elitismo narcisista e autoritário, onde, em vez de evangelizar, se analisam e classificam os demais e, em vez de facilitar o acesso à graça, consomem-se as energias a controlar”. (Evangelii Gaudium, 94)
Como se sabe, Prometeu foi aquele que tentou roubar o fogo dos deuses, no Olimpo: o velho sonho de ser como deus, de bastar-se a si mesmo. É o modelo de quem arregaça as mangas, esgota-se de tanto esforço e… experimenta tragicamente o fracasso definitivo. Natural, Francisco observa: “Não é possível imaginar que destas formas desvirtuadas do cristianismo possa brotar um autêntico dinamismo evangelizador”. (EG,94)
Em outros termos, o evangelizador que confia em Deus abre mão de seu virtual poder ou presumida técnica para apostar tudo na Graça divina. Ele acredita no poder transformador da Palavra, sem nenhum recurso à oratória, à dialética ou à força das ideias.
Como não lembrar o outro Francisco, o “Poverello” de Assis, com suas sandálias gastas e o hábito remendado? Ou Teresa de Calcutá, a pobre mãe dos pobres de Deus? Alguém evangeliza melhor?

Orai sem cessar: “A ti se abandona o pobre…” (Sl 10,14)

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