OS CÉUS SE ABRIRAM… (Mt 3,13-17) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança

ANDERSONDesde os tempos do último profeta, Deus se mantinha calado. Cerca de 150 anos do silêncio de Deus. Mal-estar ou expectativa? Ruptura ou preparação? O Senhor se cansara de falar a um povo de dura cerviz, que se recusava a dobrar a coluna cervical e obedecer à voz do Sinai?
Não creio. Em lugar de um “deus emburrado” que volte as costas ao seu povo bem-amado, prefiro pensar em um tempo de silêncio – um longo Advento de século e meio! – que prepara a irrupção impensável do Filho de Deus encarnado, nascido de Mulher, assim como todo o corpo da orquestra faz absoluto silêncio, atento ao maestro, antes de abrir os primeiros acordes da nova sinfonia.
Céus fechados fazem pensar em in-comunicação, mas podem significar outra coisa: a reverente expectativa diante das cortinas que ainda não permitem ver o cenário da ação dramática. Céus abertos, sem dúvida, indicam que o drama já começou. O Filho de Deus está entre nós e já se dispõe a iniciar sua missão salvífica.
Qual será a chave poderosa capaz de abrir aos homens sedentos as fontes da salvação. Qual será a “isca” irrecusável que leva o Pai a se debruçar de novo sobre a terra dos homens? Sem dúvida, o Filho bem-amado. Ou melhor, a obediência plena e sem reservas do Filho, objeto das preferências e dos agrados do Pai.
Ao entrar no mundo, o Filho obedece a um anseio profundo do Pai, que quer a salvação de todos os homens: “Pai, tu não quiseste sacrifícios nem oblações, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios não te agradam. Então, eu disse: ‘Eis que venho, ó Pai, para fazer a tua vontade’”. (Cf. Hb 10,5-7.)
Tendo o Jordão como pano de fundo, o Pai contempla o Filho em sua humanidade, mergulhado nas águas do rio. Misturado aos pecadores, o Salvador atesta sua total solidariedade com aqueles a quem deve salvar. Natural, o Pai sorri diante desse misto de obediência filial e de compromisso com os homens e mulheres da mesma raça à qual seu Filho aceitou aderir em tudo, exceto o pecado.
De agora em diante, os céus jamais voltarão a se fechar, pois Jesus Cristo – como bradamos em cada Eucaristia – está no meio de nós.

Orai sem cessar: “Senhor, a vossa bondade chega até os céus!” (Sl 36,6)

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