O VENTO ERA CONTRÁRIO… (Mc 6,45-52) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança

ANDERSONNeste Evangelho, os discípulos se encontram na barca, no breu da noite escura. Vem a tempestade e sopra o vento forte. São dominados pelo medo – acentuado pela visão de Jesus que caminha sobre as águas e é tomado por um fantasma – e chegam ao terror.
Somam-se a inutilidade do simples esforço humano e a falta de fé. Tudo aponta para o desastre, não fosse a súbita Presença que amaina a tempestade e faz calar a ventania… Nem parece que eles haviam acabado de presenciar o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, quando o Mestre demonstrara de forma inegável o seu poder sobre a matéria!
Este quadro parece bem uma metáfora da situação atual de muitos grupos cristãos, revestidos da máscara de fracassados. Para eles (e para todos nós!), cabem as palavras do Papa Francisco na Exortação apostólica “A Alegria do Evangelho”:
“Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre. Ninguém pode empreender uma luta, se de antemão não está plenamente confiado no triunfo. Quem começa sem confiança, perdeu de antemão metade da batalha e enterra os seus talentos. Embora com a dolorosa consciência das próprias fraquezas, há que seguir em frente, sem se dar por vencido, e recordar o que disse o Senhor a São Paulo: ‘Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza.’” (2Cor 12,9)
Prossegue Francisco: “O triunfo cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal. O mau espírito da derrota é irmão da tentação de separar prematuramente o trigo do joio, resultado de uma desconfiança ansiosa e egocêntrica”. (EG, 85)
E se morrêssemos afogados? E se o mar da vida nos engolisse? E se a sociedade neopagã nos levasse de volta às origens da Igreja, isto é, às arenas e aos carrascos?
Ora, os primeiros cristãos caminhavam para a arena do martírio cantando salmos de alegria. A alegria que nasce da oportunidade de demonstrar um grande amor.
Ou já não amamos?

Orai sem cessar: “Tu acalmas as ondas quando elas se elevam!” (Sl 89,10)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s