OU DEVEMOS ESPERAR POR OUTRO? (Mt 11,2-11) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

OUTRO            João Batista está preso. Intui que não sairá vivo do cárcere. Ele pretende encaminhar seus discípulos para Jesus. Daí a decisão de enviá-los ao Mestre com esta pergunta: “És tu o que há de vir [o Messias]? Ou devemos esperar por outro?”

Esta foi a pedagogia de João. Ele bem sabia que Jesus era o Messias, mas era preciso que seus discípulos testemunhassem pessoalmente os “sinais” anunciados pelos profetas: os cegos vendo, os surdos ouvindo, paralíticos andando, a Boa Nova anunciada aos pobres…

Ao longo dos séculos, Israel esperou pelo Messias. Um povo que não girava em círculos, mas vivia uma história que seguia em linha reta para o futuro, até que os tempos ficassem maduros e viesse o Ungido do Senhor. Por isso mesmo, a pergunta de João Batista era essencial para encontrar o sentido da existência: “És tu o que há de vir?”

Como observa Lev Gillet, “a oração cristã durante o tempo do Advento poderia resumir-se em uma só palavra: ‘Vem!’ É o ‘Vem, Senhor Jesus!’ que encerra o Apocalipse. Se este grito de apelo é pronunciado por nós com sinceridade e fervor, ele se torna uma verdadeira ascese. De fato, a esperança e expectativa do Senhor assumem então um lugar crescente em nossa alma. […] Ele devia dar à nossa oração, no decorrer do Advento, sua tonalidade especial. Possamos nós, a cada dia do Advento, proferir este apelo de modo cada vez menos imperfeito!”

Enquanto isso, de costas para o Senhor que vem, uma grande multidão prefere esperar por “outro”: um filósofo da moda, um novo líder político, um astro do mundo pop, um craque da bola. Nestes estaria a “salvação” – ainda que esta palavra seja evitada. Deles viria a alegria, o júbilo, o sentido da existência. Por eles, grandes “sacrifícios” são realizados: gastos materiais, esforços, romarias artísticas e esportivas, extremados gestos de culto e adoração, sem economizar sangue e suor.

O cristão é diferente. Ele sabe que “não existe debaixo dos céus outro Nome dado à humanidade pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12). Por isso mesmo, não se deixa iludir pelos falsos “messias” do mundo pagão e não corre atrás de suas promessas e de seus paraísos terrestres.

Vamos permanecer sobre a muralha: vigias à espera da aurora…

Orai sem cessar: “Só em Deus repousa a minha alma.” (Sl 62,2)

 

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