EU SOU A RESSURREIÇÃO… (Jo 11,17-27) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

sepulcro2 Logo de início, um esclarecimento necessário. Não devemos confundir “reanimação” e “ressurreição”. Chamar por Lázaro e fazê-lo regressar vivo do sono da morte, como fez Jesus com o irmão de Marta e Maria, isto é “reanimação”. Claro que, tendo voltado ao mundo dos vivos, Lázaro viveu por mais algum tempo e voltou a morrer. A morte é um traço típico de nossa condição humana neste planeta provisório. Podemos até adiá-la, mas não podemos suprimi-la.

Ao contrário, quando Jesus fala da “ressurreição”, ele se refere a uma realidade que transpõe os limites estreitos de nossa existência histórica. A “ressurreição da carne” – artigo do Símbolo dos Apóstolos, o Creio – ocorrerá na Segunda Vinda de Jesus Cristo, quando retornará “para julgar os vivos e os mortos”.

O apóstolo Paulo trata com detalhes sobre o tema da ressurreição na 1a. Carta aos Coríntios, capítulo 15. A ressurreição de Cristo é o alicerce desta certeza: ele foi as “primícias” de uma colheita que nos incluirá no fim dos tempos. E trata-se de um ponto central de nossa fé cristã; “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”. (1Cor 15,14.) A ressurreição de Cristo é o penhor, a garantia de nossa própria ressurreição.

Quanto a “forma”, o modo como será essa experiência de ressuscitados, o próprio Apóstolo recorre à linguagem figurada, pois se trata de uma realidade intraduzível nos termos desta vida terrestre. Com base nas reflexões de Paulo, a liturgia de Finados, em um de seus Prefácios, afirma com segurança: “A vida não é tirada, mas transformada”. Vita mutatur, non tollitur.

Dirigindo-se a Marta, irmã de Lázaro, Jesus afirma categoricamente: “Eu sou a ressurreição e a vida”. É nele que começamos a vida eterna, inaugurada no momento de nosso Batismo. Nele, permaneceremos vivos além da morte, pois ela perdeu o seu ferrão (cf. 1Cor 15,55) com a morte e ressurreição do Senhor.

Convenhamos que há um certo risco em transpor a ressurreição por completo para além da morte. De fato, quem vive em comunhão com Cristo, ainda aqui neste mundo, já inaugurou um caminho de ressurreição que a morte não poderá interromper. Assim, unidos a ele, estamos em comunhão com todos os nossos irmãos de outros lugares e de outras épocas. Formamos um só corpo, inundado pela vida que brota do lado aberto do Crucificado.

Se a reanimação de Lázaro é o sinal evidente de que Jesus é o Senhor da vida, sabemos que há um número incontável de pessoas que experimentaram em sua existência pessoal a entrada em uma vida nova, que não se extinguirá com o tempo e se projeta muito além da morte, na eternidade.

Orai sem cessar: “Em minha própria carne, verei a Deus!” (Jó 19,26)

 

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