TU ÉS A MINHA FORTALEZA! (Sl 43 [42]) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Godefroi1099                Nos tempos antigos, quando vilas e aldeias estavam à mercê de bandos de malfeitores ou de tribos invasoras, os aglomerados humanos eram de hábito protegidos por muros de pedra. Cercados pela muralha, os habitantes do burgo sentiam-se mais seguros. Em plena Idade Média, ainda era comum aproveitar a topografia do terreno e edificar a fortaleza sobre um monte rochoso. Assim também, na Bíblia, a imagem da fortaleza é símbolo de um local inacessível e inexpugnável.

A muralha de pedra passava a ser como um limiar, a linha divisória entre os “de dentro” e os “de fora”. Sobre suas ameias, as sentinelas vigiavam na escuridão da noite (cf. Sl 130,6-7). Nos ícones da Crucifixão [staurósis], vê-se que Jesus foi sentenciado fora de duas muralhas: a da cidade e a do Templo, denotando a dupla exclusão sofrida por ele, social e religiosa.

Quando o salmista se dirige a Yahweh e o identifica como sua “fortaleza”, refere-se obviamente ao sentimento de proteção que os moradores da cidade experimentavam no interior da cidade fortificada. Assim, ao se ver livre da ameaça de Saul e dos vizinhos inimigos, o Rei Davi deu graças ao Senhor: “O Senhor é meu rochedo, minha fortaleza e meu libertador!” (2Sm 22,2) Apenas nos salmos, Yahweh é invocado dezoito vezes como rochedo e fortaleza.

Erguida nas montanhas de Judá, Jerusalém também contava com as defesas naturais do Monte Sião. Mas os israelitas sabiam que todas aquelas estruturas seriam irrisórias sem a Presença do Senhor, sua verdadeira defesa: “Deus é para nós um refúgio e fortaleza, o socorro sempre oferecido nas tribulações”. (Sl 46,2) Aliás, Israel registrava em sua história um caso exemplar de muralhas ciclópicas que não haviam resistido ao poder divino: a cidade de Jericó tivera seus muros abatidos a golpes de… trombetas! (Js 6,20)

É assim que São João Crisóstomo veria mais tarde a fé cristã à semelhança de muros e torreões, como defesa contra os ataques do maligno. Para vencer o inimigo, é preciso invadir seu território e arrombar suas portas. Nos ícones da Ressurreição [Anástasis], muitas vezes o demônio aparece prostrado, entre portões arrombados, dobradiças e fechaduras lançadas ao solo, enquanto Cristo arranca do túmulo a humanidade representada por Adão e Eva.

Os fiéis esperam pelo cumprimento de “novos céus e nova terra”, quando a Jerusalém celeste virá do alto e, estabelecida a paz, suas portas já não precisarão ser fechadas a cada dia, pois não haverá mais a noite. (Cf. Ap 21,25)

Orai sem cessar: “O Senhor é a nossa defesa!” (Sl 89,19)

 

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