OS CÉUS NARRAM A GLÓRIA DE DEUS! (Sl 19a [18a]) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

pegadasO homem da Bíblia é um contemplativo. Ele não se distrai com as quinquilharias deste mundo. Saindo de sua tenda, no veludo da noite, Abraão é convidado por Deus a contemplar as miríades de estrelas no firmamento e os incontáveis grãos da areia da praia. Do mundo macroscópico ao reino microscópico, as visíveis pegadas do Criador…
O acelerado progresso da ciência, ao contrário de solapar os fundamentos da fé, veio contribuir ainda mais para nossa admiração diante dos mistérios do Cosmo. E há muito mais por vir: os meandros da genética e o torvelinho das nanopartículas deixarão nossos olhos arregalados diante da infinita Inteligência criadora.
Deus se revela no mundo. A Criação elogia o Criador. O teólogo ortodoxo Olivier Clément cita Máximo, o Confessor [580-662 d.C.], que distingue três graus na “incorporação” do Verbo de Deus. Em primeiro lugar, a própria existência do Cosmo, da Criação, que é compreendida como uma teofania, isto é, uma manifestação de Deus: “Os céus narram a glória de Deus”.
O segundo grau foi a própria Lei, na qual se incorporava o Verbo na forma de uma Escritura sagrada, revelando aos homens um Deus pessoal que participa de nossa história. E o terceiro, a Encarnação propriamente dita, levando a seu pleno sentido as duas incorporações anteriores: “O Verbo se concentra e assume um corpo” (Máximo, o Confessor), nascendo de Mulher. Ou, na expressão máxima de São João, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. (Jo 1,14)
Voltando ao passado dos patriarcas – e mais ainda, das civilizações primitivas -, muito antes da Lei e dos profetas, o homem tinha ao seu dispor este Evangelho sem letras gravado nas constelações e nos oceanos, no ciclo das estações e em cada grão de trigo. Ali se via uma ordem reveladora, ali pulsava uma vida sempre regenerada, denunciando uma Fonte oculta, mas real.
Foi contemplando um simples cristal de neve que brotou, no íntimo de Jacques Loew, jovem ateu e futuro missionário, a consciência de um Deus Criador. Ele escreve: “Meu olhar pousado na perfeita beleza de um floco de neve efêmero abalou minha vida. Este cristal era um mensageiro, o murmúrio de um além a que eu não sabia como designar, do qual não podia mais duvidar. Não chegara como uma prova, repleta de demonstrações: era uma presença, a minúscula prova material que basta por si só, um reflexo do invisível”. (“Meu Deus em Quem Confio”, p. 35, Ed. Paulinas, 1986)

Orai sem cessar: “Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo!” (Mt 2,2)

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