SÃO IMUTÁVEIS NOS SÉCULOS… (Sl 111 [110]) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

imutáveisO tempo passa. Os homens passam. Tudo passa. Só Deus não passa…
Compreende-se a humana dificuldade quando se fala em eternidade. Mergulhado na história até a raiz dos cabelos, o homem precisa da Luz divina para intuir que sua vida se projeta além do limiar da morte, simples soleira para a casa do Pai.
Uma visão fisicista de nós mesmos acabaria por reduzir-nos a um aglomerado de carbono e fosfato de cálcio. Um desses materialistas definiu o homem como “tubo digestivo pensante”. Outro quis reduzi-lo a um “macaco evoluído”. Mas não é fácil defender estas teses.
Por exemplo: o homem enterra seus mortos. Ali onde o arqueólogo encontra um túmulo, ali viveram humanos. Eu disse humanos; não, humanoides. Nenhum outro animal enterra seus mortos. Por que será? O que motiva esse respeito (e até veneração!) pelos restos mortais de um semelhante? O que levava os antigos egípcios a armazenar alimentos ao lado da urna mortuária?
Essa percepção – mesmo difusa, em algumas culturas – de que algo de “espiritual” pulsava no íntimo do homem e não se extinguiria com a morte, é o indício de que o eterno espera por nós.
Deus é anterior ao tempo. Deus subsiste ao tempo, quando for enrolado o tapete da História. E se Deus é eterno, também são imutáveis os seus preceitos e decretos. A Tradição judeu-cristã acolheu essas verdades sobre Deus e sobre o homem como um precioso depósito a ser ciosamente conservado, geração após geração.
O mundo pagão – incapaz do eterno em sua insaciável roda de um tempo sempre recomeçado – está sempre pronto a jogar no lixo qualquer princípio moral, em nome da prática ou do lucro. São esses pagãos que investem contra a Igreja cristã quando esta defende a vida do embrião, o valor da família e a indissolubilidade do matrimônio. Cegos para o eterno, veem como ultrapassado aquilo que parece frear seus vícios e pulsões.
Enquanto isso, Jesus Cristo, o Filho que o Pai nos enviou, garante com todas as letras: “Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão!” (Mt 24,35) Na mesma linha, o salmista cantava: “Tua justiça é justiça eterna, e verdade é a tua Lei”. (Sl 119,142)
Escravo da moda e dos modismos, caniço agitado pelo vento (Lc 7,24), o homem carnal não conhece a estabilidade e a solidez de quem se apoia na Palavra eterna e definitiva. Enquanto isso, nosso Deus, anterior a toda gênese e posterior a todo apocalipse, contém em si mesmo o universo inteiro.
Orai sem cessar: “Com amor eterno eu te amei!” (Jr 31,3)
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