AS TRÊS MISERICÓRDIAS… (Lc 15,1-32) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

misericórdiaEste Evangelho nos apresenta as três parábolas que Jesus pronunciou para nos falar da misericórdia, ou melhor, do entranhado amor de Deus por nós. O pastor incansável que sai a campo em busca da ovelha tresmalhada. A diligente mulher do povo que varre a casa à procura da moedinha perdida. Enfim, o velho pai que, simplesmente, espera o regresso do filho fujão….
Três diferentes maneiras de ser misericordioso: sair a campo… varrer a casa… esperar…
A primeira é a mais fácil, pois até nos empresta um nimbo de heroísmo. Vai o pastor por brenhas e vales, busca incansavelmente até encontrar a SUA ovelha: ferida, emaranhada na moita de arranha-gato, berne no focinho. Sim, mas é MINHA ovelha. E se alegra ao recuperá-la.
A segunda é mais trivial, uma empreitada caseira. Quantas vezes, quem mais precisa de nossa misericórdia está bem ao lado, debaixo do mesmo teto. O casebre é pequeno, a lamparina de azeite mal o ilumina. A vassoura de folhas de tamareira permite reencontrar a moeda, escapada do véu de moedas que ainda recorda à sua dona a remota cerimônia do casamento. Moedinha pequena, de parco valor, azinhavrada, talvez, mas SUA moeda. Não admira que as vizinhas cheguem a zombar da alegria de sua dona.
A terceira é realmente a mais dura de viver. Um filho não é uma ovelha. Não é moeda de metal. Tem arbítrio, vontade própria. Só resta ao velho pai… esperar… Uma esperança sem garantias, mantida a pulsar no coração, mesmo contra toda evidência. Voltará o filho algum dia? Não há certezas, mas o amor não vive de certezas. O amor é capaz de fazer apostas e… esperar…
De volta à casa do pai, o filho que pecou avalia que não é mais possível recuperar a estatura filial: “Não mereço ser tratado como filho… Trata-me como um dos empregados…” Mal sabe ele que o Pai continua pai. “E enquanto eu for pai, você continua a ser meu filho…” É da natureza de Deus ser um Pai. Nada que possamos fazer apagará sua imagem paterna. Daí o beijo, a roupa nova, os sapatos, o anel…
Sair a campo… Varrer a casa… Esperar… Todos os dias nós temos oportunidades de amar e de exercer a misericórdia. Alguém anda perdido em seus descaminhos e, a qualquer momento, poderá apresentar-se à nossa frente. Quando isso acontecer, como reagiremos?
Orai sem cessar: “Todos os caminhos do Senhor são misericórdia” (Sl 25,10)
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