BOLSAS QUE NÃO SE GASTAM… (Lc 12,32-48) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

A MARVA DO HUMANO É AEFEMERIDADEA marca do humano é sua efemeridade. Toda criatura está de passagem pelo tempo e pelo espaço. A sabedoria do Antigo Testamento transparece no Salmo: o homem é “como a erva que brota de manhã, germina, de tarde murcha e seca” (Sl 90,5-6). Assim sendo, é extrema loucura viver como se fôssemos eternos. Pior ainda, dar valor de eternidade às coisas que passam irrevogavelmente.
Uma sociedade pagã – ou neopagã, como se tornou a nossa – também deve encarar a mesma realidade. Uma das atitudes típicas do pagão é o “carpe diem”, lema equivalente ao refrão do fim de Carnaval: “É hoje só, amanhã não tem mais!” Já que tudo acaba, vamos “curtir” o momento presente. Esta é a receita do hedonismo. Um tempo presente volátil e nenhum tempo futuro.
Na recente crise econômica que vai roendo a Europa, um magnata alemão era dono do maior complexo industrial do cimento. Sua fortuna era avaliada em 9,2 bilhões de dólares. Com a crise, em janeiro de 2009, a bolsa de valores foi afetada e o bilionário perdeu 3 bilhões do dia para a noite. Vendo-se empobrecido, possuindo apenas 6 bilhões, deixou uma carta para a família e suicidou-se. Era o 5º mais rico da Alemanha…
Um exemplo extremo, sim, mas paradigmático da loucura de uma vida orientada para a acumulação e a posse. Exatamente a atitude oposta aos conselhos de Jesus nos versículos que antecedem o Evangelho de hoje: a confiança em Deus, nosso Pai, com frutos de serenidade e segurança, liberdade perante os bens materiais. Sem essa confiança – sugere Jesus -, nosso coração é invadido por preocupações, ansiedade, inquietação.
Para acentuar a insanidade desse estilo de vida, o Mestre alude a tesouros que não se acabam, bolsas que não se estragam. No caso do industrial alemão, a “bolsa” o levou a morte, pois seus valores escorreram pelo ralo.
No interior do Estado do Rio, conheci fazendas e regiões inteiras antes ricas e florescentes em função da lavoura do café. A Bolsa de Nova Iorque sofreu o conhecido “crack” em 1929 e os produtores foram à falência. Hoje, na região, o café brota nativo no meio da floresta que invadiu os terreiros…
Sim, é preciso trabalhar. Existe uma cidade dos homens a ser construída, pois Deus há de aproveitá-la como matéria-prima do mundo novo. Mas não devemos construir torres enganosas. Babel não fica de pé. Como ensina Jesus, vamos buscar o Reino de Deus, e teremos por acréscimo o pão, as vestes e a casa…
Por enquanto, alerta o apóstolo Paulo, são “tendas provisórias” (2Cor 5,1-4), mas o Senhor nos prometeu uma morada permanente em seu Reino.
Orai sem cessar: “Se o Senhor não construir a casa, é inútil o cansaço dos pedreiros!” (Sl 127,1)
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s