HERODES QUERIA MATAR… (Mt 14,1-12) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

St John the Baptist before Herod, PRETI,Mattia , 1665João, o Batizador, tornara-se um homem incômodo para o rei. De início, após sair do deserto, onde convivera com as víboras, as abelhas e os gafanhotos, João parecia no máximo uma figura folclórica, um arremedo descabelado dos antigos profetas, vestindo o típico cinturão de couro (cf. 2Rs 1,8).
A coisa começou a mudar quando multidões se dirigiram ao Jordão, acolhendo, contritas, o convite à conversão na expectativa do Messias prometido. Herodes Ântipas, tetrarca da Galileia e da Pereia, teve a curiosidade excitada por aquela insólita figura, mas ao mesmo tempo pressentia no ar algum tipo de ameaça.
E mudou mais ainda quando explodiu nas margens do Jordão a denúncia de João Batista recriminando o comportamento escandaloso de Herodes, que tomara a esposa do próprio meio-irmão Filipe, caído em desgraça perante Roma. A voz áspera do Batizador ressoava como uma trombeta nos areais do deserto: “Não te é permitido viver com a mulher do teu irmão!” Os ouvidos de Herodíades ardiam com os ecos. Seu coração ardia de ódio…
Como se vê, a missão do profeta inclui o anúncio e a denúncia. Por um lado, João Batista anunciava o Reino de Deus; por outro lado, denunciava o reino dos homens. Não admira que, na História da Igreja, esta missão profética tenha sido o motivo de perseguições e calúnias, repressão e violência. Todo tirano pretende negar à Igreja de Jesus o direito de anunciar a verdade e reprovar a mentira.
O III Reich logo mostraria o rosto do anticristo ao perseguir judeus e cristãos, duas comunidades que preferiam ouvir a Palavra libertadora de Deus antes que os discursos dominadores do Führer. A maioria das lideranças cristãs repeliu os projetos de Adolf Hitler, o que iria gerar numerosos mártires da fé, entre os quais o teólogo e pastor luterano Dietrich Bonhoeffer, cujas cartas da prisão são admirável testemunho de fé cristã.
O império soviético, nascido do comunismo ateu, agiria de forma idêntica, encarcerando bispos, assassinando sacerdotes e proibindo o ensino religioso e demonstrações públicas da fé. No México dos anos 30, o governo de inspiração maçônica fechou os templos, perseguiu os padres e cobriu de sangue a terra de Juan Diego, o amigo de N. Senhora de Guadalupe.
Nestes casos históricos, uma constante: a reação violenta contra aqueles que denunciam o mal institucionalizado. No campo oposto, o compromisso cristão com a verdade e a liberdade, e o testemunho admirável da legião de cristãos que não compactuaram com a opressão.
Em nosso tempo, continua acesa a luta pela vida. O complexo de Herodes move a ONU e muitos governos na direção do aborto legal e da eutanásia, contra a família e o amor fiel. De que lado ficaremos nós?
Orai sem cessar: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor!” (Js 24,15)
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