DE TODO O CORAÇÃO… (Lc 10,25-37) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

samaritanoPor que será que insistimos em negociar com Deus? Ficamos regateando, como se o Senhor aceitasse de nós menos que tudo? E em nosso íntimo existe uma sede de entrega total. Vejamos a comovida reflexão de São Basílio Magno [+ca. 379]: “O amor de Deus não se ensina. Ninguém nos ensinou a gozar da luz, nem a considerar a vida acima de tudo. Ninguém nos ensinou a amar aqueles que nos puseram no mundo ou nos criaram. Da mesma maneira, ou com maior razão, não é um ensinamento externo que nos ensina a amar a Deus.
Na própria natureza do homem, encontra-se como um germe que contém em si o princípio dessa aptidão para amar. Este germe, é à escola dos mandamentos de Deus que cabe recolhê-lo, cultivá-lo com zelo, alimentá-lo com cuidado e conduzi-lo a sua expansão, com a graça de Deus.
Quando recebemos de Deus o mandamento do amor, nós já possuímos a faculdade natural de amar; já buscamos por aquilo que é belo. Ora, que há de mais admirável que a beleza divina? E que desejo é tão ardente quanto a sede provocada por Deus na alma purificada de todo vício, que grita com sincera emoção: ‘O amor me feriu’ ? (Ct 2,5)
Inefáveis e indescritíveis são os raios da divina beleza! A língua é impotente para falar dela, o ouvido não a pode entender! O esplendor da estrela da manhã, a claridade da lua, a luz do sol: tudo isto é indigno de representar sua glória; e em relação à verdadeira luz, tudo isto se distancia mais que a noite mais profunda do meio-dia mais puro.
Para a alma, não amar a Deus é a máxima privação, o maior de todos os males. Se a afeição dos filhos por seus pais é um sentimento natural, não permaneçamos diante de Deus como estranhos sem amor. Se a afeição e a amizade nascem em nós espontaneamente por aqueles que nos fazem bem, com muito mais razão nascerá por Deus, cujos benefícios são tão abundantes que seu número nos escapa, e tão grandes que um único deles basta para que nos tornemos eternamente reconhecidos.
Quando repasso em minha memória todos esses benefícios, sou tomado de terrível ansiedade, temendo que, em consequência de minha insatisfação e à força de me ocupar com vaidades, eu venha a trair o amor de Deus.”
Até quando adiaremos nossa entrega ao amor de Deus?
Orai sem cessar: “Nas tuas mãos entrego o meu espírito!”
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