EU TE DAREI AS CHAVES… (Mt 16, 13-19) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

eu te darei as chavesEis um Evangelho denso, sólido, rico de informação. No centro de tudo, a proclamação de Jesus como o Cristo, o Filho de Deus. Por isso mesmo, estamos bem no coração da Boa Nova!

Enquanto a multidão divaga e tem extrema dificuldade em apreender o mistério que se oculta sob a pessoa do Rabi da Galileia, o velho pescador – sem nenhum apoio em sua própria (e limitada) natureza humana – recebe do Espírito Santo as luzes interiores necessárias para identificar seu Mestre como o Messias esperado por Israel. E vai muito além: Jesus é o Filho de Deus!

É suficiente para que Jesus defina o Apóstolo Pedro como a “rocha” – fazendo um jogo de palavras com o termo aramaico kefas [= pedra, rocha, equivalente ao latim petra, Petrus]. Se Jesus é a verdadeira “pedra angular”, ele deixará a Pedro como a “rocha” da Igreja, seu corpo místico. A profissão de fé de Pedro é suficiente para que o Senhor o coloque à frente da Igreja. Vale notar que o Evangelho de São João registra esta “missão” petrina desde o primeiro encontro com o Mestre (cf. Jo 1,42).

O símbolo das “chaves” aponta para uma faculdade ou poder que Jesus Cristo entrega nas mãos de sua Igreja, centrada na figura de Pedro: ligar e desligar, fechar e abrir. Após a ressurreição (cf. Jo 20,23), Jesus Cristo será ainda mais claro, referindo-se ao poder de perdoar (ou não) os pecados. Com as “chaves” nas mãos, os herdeiros do ministério apostólico poderão abrir os tesouros de Cristo confiados à Igreja e distribuí-los entre os fiéis. Ao cortar os laços que os prendem ao pecado, com a absolvição, reconciliam os pecadores com a Igreja. Podem também definir quem está ligado, ou não, ao corpo de Cristo.

Obviamente, não se trata de um poder discricionário, a ser desempenhado com arbítrio e despotismo. Ao contrário, o “poder das chaves” constitui um permanente serviço à Igreja e à humanidade, alvos do amor entranhado do próprio Senhor. Quando os sucessores de Pedro assumem sua cátedra, passam a exercer um serviço pastoral, mas também uma “autoridade” para governar a casa de Deus (cf. Catecismo, 553), que é a Igreja, tomando decisões de caráter doutrinal e disciplinar.

Como todos sabem, filhos rebeldes sempre reclamam da autoridade paterna. Já os filhos obedientes experimentam sempre mais os tesouros da ternura e da misericórdia. Qual é a minha atitude em relação à Igreja?

 

Orai sem cessar: “Tu é o Cristo, o Filho do Deus vivo!” (Mt 16,16.)

 

 

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