NEM BOLSA, NEM ALFORJE… (Lc 10,1-12.17-20) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Um amigo meu, padre das Escolas Pias, me dizia: “O lado bom da vida religiosa é que, de dois em dois anos, me transferem para outro lugar e só posso levar comigo o que couber em duas malas”. Dedicado servidor de Deus e da Igreja, com experiência de pároco, de educador e de evangelização entre grupos ciganos, meu amigo ainda levava duas malas consigo. Neste Evangelho, Jesus Cristo é bem mais radical ao enviar os setenta e dois discípulos em sua primeira missão evangelizadora: nem bolsa, nem sacolas…
pobrezaEles não estão brincando de pobreza voluntária: eles precisam ser livres! Como sair pelo mundo, deixar a pátria, adotar como seu um povo estranho e abraçar a nova cultura ao mesmo tempo em que vão arrastando toda a herança da família e da tribo de origem?
O servidor de Deus e dos homens não pode ser como aquelas aves que acumulam em seu ninho todo objeto brilhante que encontram em seu caminho. Como Albert Schweitzer, ele sabe trocar os aplausos dos concertos musicais pelos gemidos dos doentes do Congo Belga. Como Charles de Foucauld, ele deixa as festas de Paris pelo silêncio do Sahara. Como Madre Teresa, ele abandona a segurança do colégio de meninas limpinhas pela incerteza das favelas de Calcutá.
Jesus sabia – desde aquele tempo! – que a missão evangelizadora é incompatível com a acumulação e a gestão de bens materiais. A posse nos faz possessos. Sem a liberdade do pobre e sem a experiência de um Deus que provê nossas necessidades, que mensagem de esperança nós teríamos para o mundo mergulhado na dor?
Olhe em volta. Você verá pessoas que assumiram uma missão de evangelizar, mas vivem atarefadas, burocraticamente ocupadas em outras atividades, sem tempo para acolher e ouvir seu rebanho e, se preciso, chorar com ele. Não era isto que Jesus imaginava. Não era esse o itinerário dos discípulos. Não foi para isso que Ele os chamou.
Ao final de uma pregação que fiz em uma capital, o pároco pediu para conversar comigo. Revelou sua angústia, cercado pelos edifícios de concreto em uma paróquia absolutamente aburguesada. Rezamos juntos e animei-o a seguir sua íntima inspiração. Meses mais tarde, fiquei sabendo que ele estava em uma favela da Grande BH. E era feliz…
Orai sem cessar: “Feliz o homem que cuida do fraco!” (Sl 41,2)
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