OS POBRES EM ESPÍRITO… (Mt 5,1-12) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

angelicoEsta expressão, incluída por Jesus entre as nove bem-aventuranças do Sermão da Montanha, faria brotar rios de tinta ao longo dos séculos. É que ela incomoda, interpela, subverte a sociedade pagã do orgulho e do lucro. Por isso, muitos tentam adocicar o seu alcance. Vejamos o sóbrio comentário de S. Leão Magno [+461]:
“Quando Jesus diz ‘felizes os pobres em espírito’, ele nos mostra que o Reino dos céus será dado antes à humildade do coração que à ausência de riquezas. Entretanto, não há dúvida de que os pobres obtêm esse dom mais facilmente que os ricos, pois a pobreza os inclina mais facilmente à bondade, e a riqueza dos outros leva-os mais à arrogância.
Apesar disso, muitos ricos possuem esse espírito que não põe a abundância a serviço de seu prestígio, mas das obras de benemerência. Para estes, o ganho maior é aquilo que eles gastam para suavizar a miséria e o sofrimento de outrem. Assim, a humildade do coração é partilhada por pessoas de todas as condições.
Nós podemos ser iguais nas disposições, mesmo sem o ser na fortuna. Seja qual for a desigualdade de seus bens terrestres, não há distância entre aqueles que são iguais em nível dos bens espirituais. Feliz, pois, a pobreza que não deseja aumentar suas riquezas aqui de baixo, mas aspira a enriquecer-se dos bens celestes.
Depois do Senhor, os primeiros que nos deram o exemplo dessa pobreza magnânima foram os apóstolos. Deixando todos os seus bens ao chamado do divino Mestre, alegremente se converteram e abandonaram a pescaria de peixes para se tornarem pescadores de homens (cf. Mt 4,18-20). Entre estes, muitos se assemelharam a eles ao imitar sua fé: junto aos primeiros filhos da Igreja, “todos os fiéis tinham um só coração e uma só alma” (At 4,32). Despojados de todas as suas posses, estavam enriquecidos dos bens eternos graças à santa pobreza. A partir da pregação dos apóstolos, eles se alegravam por nada possuírem neste mundo, mas possuírem tudo em Cristo.”
Não é preciso muita imaginação para perceber que a “opção preferencial pela pobreza” adotada pelos primeiros cristãos derivava de uma experiência de plenitude: Jesus Cristo bastava para preencher o coração deles! Cheios de Deus, cheios do Espírito de Pentecostes, não havia em seu coração espaço algum para acumular as quinquilharias deste planeta mineral…
Claro, isto me leva a considerar o polo oposto: se estou ocupado em acumular esses mesmos balangandãs que os apóstolos abandonaram, não será porque meu coração ainda não está cheio de Deus?
É perigoso imitar Ananias e Safira (cf. At 5) e guardar parte do valor do campo como reserva pessoal. A cobiça pode fulminar…

Orai sem cessar: “A Ti, Senhor, o pobre se recomenda!” (Sl 10,14b)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s