E VIAJOU PARA LONGE… (Mc 12,1-12) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

segura-na-mao-de-DeusEsta é a impressão dominante em muitos setores de nossa sociedade e, – quem sabe? – em nossas Igrejas cristãs. Deus parece longe, retirado em seu nirvana pessoal, indiferente à fome e à miséria, ao terrorismo e à corrupção. Deus viajou…
Na parábola deste Evangelho, enquanto o Senhor “viajava”, assassinaram seu próprio Filho… O Senhor prepara uma vinha excelente e a “aluga” prontinha para que nós (os agricultores) a façamos dar frutos. É a “nossa” história. O fim é conhecido: usurpação, ganância, apropriação indébita, violência e assassínio. Tudo porque o Senhor da vinha estava longe…
Quando Deus está longe, vale tudo! O homem se torna lobo do homem. A Criação é reduzida a mera fonte de matérias-primas. A cidade dos homens se muda em mercado. Pessoas são mercadoria. A lei, apenas estorvo. Deus ausente, eu sou Deus e faço minha própria lei, doa a quem doer.
Ora, será verdade que Deus viajou para a face oculta da Lua? Está longe de nós? Quando Madre Teresa deixou a segurança de seu colégio de ricos para cuidar das crianças remelentas das favelas de Calcutá, não era Deus que se fazia presente naquele lixão? Quando Francisco abre mão da herança paterna para se casar com a Irmã Pobreza, não era Deus que acusava o capitalismo incipiente? Quando o Papa Francisco lembra às religiosas que não devem viver como solteironas celibatárias, mas como verdadeiras mães espirituais, não é a voz de Deus que lhes fala?
Parece que estamos esperando uma nova encarnação divina ou algum arcanjo que venha tocar trombetas em nossos parlamentos… Que Deus desça em pessoa, com um chicote na mão direita, para vergastar os governantes iníquos… Pura ilusão! É por mãos humanas que Deus age em nosso tempo. É por vozes humanas que Ele nos fala. É por pés humanos que Ele se aproxima de nós.
A areia de nossa história está toda marcada pelas pegadas de seus mensageiros. As freiras vicentinas de Rimini, Itália, que cuidaram de meu pai até os 7 anos de idade, quando sua mãe morreu no parto e o pai vivia 7 anos de guerra, não eram uma presença de Deus? Dom Bosco, ao dedicar sua vida aos pivetes aprendizes do crime, não era uma palpável presença de Deus? Os jovens da Comunidade Aliança de Misericórdia, ao conviverem com mendigos, drogados e prostitutas nas ruas de São Paulo, não comprovam a evidência de que Deus está no meio de nós?
Hoje, nosso próximo parece cada vez mais longe. Quando nos aproximaremos dele? Quando seremos a presença de Deus que andam reclamando? Quando ousaremos ser as mediações divinas tão reclamadas?
Orai sem cessar: “Ele está no meio de nós!” (Liturgia Eucarística)
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