NÃO SABEMOS… (Mc 11,27-33) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

fariseusO episódio deste Evangelho nos dá um exemplo acabado da má consciência que costuma desviar da verdade aqueles que se sentem ameaçados por ela. Preferem alegar ignorância – ou afirmar que a verdade não está ao seu alcance – pois uma tomada de posição os colocaria em terreno inseguro.
João Batista atraíra multidões, anunciando a proximidade do Reino e pregando um batismo de penitência. Os homens do Templo recusaram uma coisa e outra. Agora, são os mesmos personagens – escribas, anciãos e sacerdotes – que vão a Jesus, questionando a autoridade do Mestre para pregar e curar.
Como resposta, eles ouvem uma pergunta inesperada: “O batismo que João havia pregado era do céu ou dos homens?” Isto é, fora algo inspirado por Deus ou apenas um impulso pessoal do Batista? E eles se veem em uma “saia justa”: como negar a ação divina diante do povo que reconhecera João como profeta? Mas, se João era um profeta, por que motivo não acolheram sua mensagem?
Com esta simples pergunta, Jesus traz à luz a perversão espiritual dos homens do Templo. Assim sendo, eles acham mais cômodo responder: “Não sabemos…” E quase acrescentaram: “Nem queremos saber!”
Em nossos dias, é comum encontrar entre nós o mesmo tipo de “cegueira voluntária”. Em especial naqueles grupos e pessoas que, se admitissem a verdade do Evangelho, deveriam ao mesmo tempo mudar de rumo, mudar de vida, deixar de lado seus critérios e valores. Como isso poderia trazer incômodos e riscos, causar prejuízos materiais ou fechar as portas do mundo pagão, é mais prático dizer: “Não sabemos!”
Jesus veio ao mundo para nos salvar da morte eterna. Parte de sua missão consistia em nos revelar a Verdade sobre Deus e a Verdade sobre o Homem. Foi por suas palavras que ficamos sabendo que Deus é Pai. E que nós somos filhos!
Ora isso pode ser muito incômodo: a relação entre Pai e filho inclui a obediência. E uma multidão de rebeldes prefere traçar o próprio rumo, ainda que o resultado seja um autêntico naufrágio da civilização humana.
E nós? Podemos alegar que “não sabemos”? Fecharemos os ouvidos à Palavra do Evangelho? Recusaremos o convite às bem-aventuranças evangélicas? Vamos ignorar o magistério da Igreja e o exemplo dos santos? Seguiremos tratando o próximo como inimigo ou objeto de exploração? Gastaremos o tempo para acumular os tesouros que a traça vai roer?

Orai sem cessar: “Vou te louvar, Senhor, com um coração sincero!” (Sl 119,7)

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