QUEM NÃO É CONTRA NÓS, É POR NÓS… (Mc 9,38-40) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

unidosJá sabemos que o Espírito sopra onde quer. (Jo 3,8.) O Concílio Vaticano II reconheceu a existência de “sementes da Palavra” (cf. Ad Gentes, 11) em todos os povos e sociedades. Por isso mesmo, ninguém deve espantar-se de que Deus venha a agir por meio de pessoas de boa vontade que não pertencem à nossa Igreja, não professam a nossa fé, nem mesmo tenham sido batizadas.
A tentação que nos assalta é a de assumir uma atitude “exclusivista”, apresentando nosso modo de ser como o “único caminho” e, ao mesmo tempo, condenando à exclusão (ou ao inferno!?) todos os diferentes que não têm a carteirinha de nosso clube. Trata-se de uma atitude tipicamente sectária, que não admite nenhum bem fora de seu próprio quintal…
Este triste partidarismo se agrava ao sentirmos ciúmes se Deus age em outros grupos, movimentos ou pessoas. Em lugar de nos alegrarmos com o bem realizado, fazemos críticas, apontamos falhas e defeitos, zombamos acidamente daquilo que não temos possibilidade (ou coragem) de imitar!
Um caso concreto, em nossos dias, diz respeito aos movimentos e comunidades novas, onde o dedo de Deus se faz visível quando eles assumem diaconias, cuidam dos moradores de rua, alimentam os pobres, acolhem menores abandonados, reavivam a adoração ao Santíssimo Sacramento, pregam um Evangelho exigente. Se nosso grupo, paróquia ou Instituto está morno, será ainda maior o risco de apontar um dedo acusador contra estes irmãos que se esforçam por dar uma resposta a Deus que chama a amar mais…
Jesus não poderia ser mais claro: “Quem não é contra nós, é por nós”. Se temos sensibilidade eclesial, perceberemos que a Igreja se enriquece com a diversidade dos carismas, por mais estranhos que eles tenham sido na História, como os estilitas (que passavam a vida sobre uma coluna), os eremitas do deserto (como Charles de Foucauld em pleno Séc. XX) ou os “loucos de Deus”, andarilhos que palmilhavam continuamente as estradas da estepe russa.
Os contemplativos rezem pelos missionários das aldeias indígenas. Os agentes que animam associações de bairro agradeçam a Deus pelo louvor ruidoso dos irmãos carismáticos. E o Reino de Deus crescerá no meio de nós…
Somo ou divido? Reconheço o dedo de Deus no meio dos meus irmãos diferentes de mim? Ou cedo à crítica, à calúnia e à maledicência?

Orai sem cessar: “Oh! Como é bom e agradável
irmãos unidos viverem juntos!” (Sl 133)

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