EU SOU A PORTA. (Jo 10,1-10) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

PORTAJá no 3º Milênio, a humanidade parece sem saída. Os rumos adotados pela economia, pelas finanças, pela organização do trabalho, pela globalização, chegam a um beco sem saída. Aprofunda-se o fosso entre ricos e pobres, hemisférios norte e sul, enquanto a sociedade urbana mergulha num cenário de solidão, dependência de drogas, violência e falta de sentido. Para onde ir?
Neste Evangelho, Jesus se apresenta a todos nós como uma resposta permanente: “Eu sou a porta”. Como quem diz: “Por mim, poderão entrar e sair, e encontrarão passagem para a vida”. Fechando a porta, o bom Pastor vem proteger suas ovelhas dos perigos noturnos. Abrindo a porta, pela manhã, o Pastor conduz seu rebanho às águas tranquilas e às campinas verdejantes (Cf. Sl 23).
Uma das imagens bíblicas do Vaticano II para definir a Igreja de Jesus, é exatamente a do “redil”: o lugar onde as ovelhas se reúnem em torno de seu Pastor. “A Igreja é um redil do qual Cristo é a única e necessária porta. É também a grei Emoticon smile rebanho) da qual o próprio Deus prenunciou ser o pastor (cf. Is 40,11; Ez 34,11ss). Suas ovelhas, embora governadas por pastores humanos, são contudo incessantemente conduzidas e nutridas pelo próprio Cristo, o bom Pastor e Príncipe dos pastores, que deu Sua vida pelas ovelhas”. (LG, 6.)
Jesus nos fornece um “critério de fidelidade”: a ovelha identifica a VOZ de seu pastor. Não muito bem dotadas de visão, as ovelhas apuram os ouvidos para não serem atraídas por um mercenário ou falso pastor, que explora as ovelhas sem se importar pela vida delas. Ora, hoje a VOZ de Jesus vem até nos por sua Igreja, pelo Magistério eclesial, através da Tradição apostólica, o ensino dos Concílios e dos Papas, a supervisão dos Bispos em comunhão com Pedro.
É, porém, um tempo de vozes dissonantes… Livros com doutrina estranha à ortodoxia, “mestres” que destilam o veneno da rebeldia mesmo nos seminários, de onde sairão os futuros pastores, além de um clima de libertinagem litúrgica, apesar dos constantes apelos do Papa e dos Dicastérios da Santa Sé. O cristão fiel, atento às moções do Espírito Santo, saberá separar o joio do trigo, e não confundirá a voz do pastor – o único que deu a vida por nós -com os gritos do mercenário e do assaltante noturno.
Sou uma ovelha fiel? Estou atento à voz do Pastor, que chega a mim através da Santa Mãe Igreja? Ou dou ouvido a vozes dissonantes?

Orai sem cessar: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta!” (1Sm 3,10.)

 

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