É O SENHOR! (Jo 21,1-14) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

mesa_pngO cenário é o Lago de Genesaré ou Tiberíades que, na região de poucas águas, era conhecido como o “Mar” da Galileia. Formado principalmente pelas águas do Jordão, era a vida de várias cidades costeiras, como Tiberíades e Cafarnaum. Em suas margens, ocorrera o chamado de Jesus para Pedro e André, Tiago e João (Mc 1,16-20), prometendo fazê-los “pescadores de homens”. Ali presenciaram com assombro a primeira pesca milagrosa (Lc 5,1-11), após uma noite inteira de trabalho inútil.
Desta vez, com Jesus já ressuscitado, o Evangelho narra uma espécie de retorno ao passado, uma experiência tateante de voltar a território seguro: o de pescar peixes. De novo o mar se mostra ingrato. De mãos vazias, navegavam para a margem, onde um vulto meio indistinto nas brumas da madrugada pede um peixe para comer. Diante da resposta negativa dos pescadores, faz uma sugestão: “Lançai a rede para a direita do barco e haveis de achar…”
Contra toda expectativa humana, eles obedecem e – para surpresa deles – as redes se mostram tão pesadas, que mal podem ser arrastadas. Foi o suficiente para que João reconhecesse o autor da proposta: – “É o Senhor!” E Pedro, cobrindo-se, pois estava em trajes menores, lançou-se às águas…
O texto é rico de sugestões, mas permite uma reflexão especial. O trabalho humano é limitado. Nossas capacidades são relativas. Há inúmeros obstáculos para nossa atuação. Mas se o Senhor entra em nosso trabalho, tudo muda. É diferente agir por iniciativa própria e atuar sob a inspiração de Deus.
Pedro é o velho pescador, já sem o ânimo e a novidade da juventude. As redes eram velhas, sofriam remendos desde o primeiro encontro com Jesus. As barcas, cansadas. O lago, frequentemente ingrato em responder ao esforço dos pescadores. Mas bastou seguir a ordem do Mestre, e a pesca foi farta, acima de toda expectativa humana. João, mais jovem, sempre intuitivo, é o primeiro a perceber que ali “havia coisa”: o resultado superava infinitamente a capacidade dos homens e a possibilidade das águas. Por isso, num relance, intui a presença de Jesus na praia deserta.
A Igreja deve aprender com este episódio. As comunidades e famílias tenham sempre em mente os limites de seu trabalho. Ao mesmo tempo, porém, devem manter os olhos fixos em Jesus, ajustar a sintonia fina nas inspirações do Espírito Santo, para perceber em que direção há de soprar o Vento…
Estamos atentos à voz de Deus que nos fala pela Igreja?

Orai sem cessar: “Mostra-me, Senhor, os teus caminhos!” (Sl 27,11)

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