A PAZ ESTEJA CONVOSCO! (Lc 24,35-48) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

22.4.2010: Sant'Apollinare Nuovo, Ravenna

Contra toda expectativa de seus discípulos, Jesus venceu a morte e ressuscitou. A inesperada notícia já correu entre os discípulos. Mas eles ainda estão dominados pela apreensão e pelo medo, trancados no Cenáculo. Eles ainda não têm a Paz. Por isso mesmo, quando Jesus passa pelas portas fechadas (Jo 20,19) e se manifesta entre os discípulos, o grupo pensa estar diante de um fantasma. Jesus penetra em seu íntimo e lê seus corações sofridos, onde ainda pulsam objeções e perturbação. Sabe que precisa apaziguá-los. E lhes diz: “A paz esteja convosco!”
Desde então, os discípulos de Jesus aprendem que a Paz não pode ser fabricada, não resulta de esforço humano puro e simples, acordos internacionais, campanhas de desarmamento. A Paz é dom de Deus. E em cada missa pediremos que o Cordeiro (a vítima) de Deus nos dê a paz…
Jesus mostra as marcas da Paixão: sua carne perfurada nas mãos e nos pés. “Sou eu mesmo! Tocai-me!” É uma Pessoa real, que fala nossa língua, sente nossas angústias e – de modo que nossa razão não pode entender – chega a comer um pedaço de peixe grelhado (v. 42) bem diante de seus olhos!
Foi com espanto que ouviram Jesus repassar as etapas de sua missão pessoal: sofrer a morte, ressuscitar e dar seu Nome para pregação da Igreja, que convida à conversão e à experiência do perdão dos pecados. Os discípulos cumprem aqui um papel intransferível: eles são as testemunhas de tudo isso!
Assim, o apóstolo João poderá afirmar de Jesus Cristo: “Este que ouvimos, que vimos com os nossos olhos e nossas mãos apalparam”. (1Jo 1,1.) E Pedro confirmará em praça pública: “Somos testemunhas de tudo isso!” (At 2,32.)
Uma última advertência: a missão da Igreja não se realiza apenas com recursos humanos. É por isso que Jesus renova aquela promessa: “Eu vou enviar-vos o Prometido de meu Pai. Permanecei na cidade até que sejais revestidos com o poder do Alto”. Jesus fala do Espírito Santo, a alma da Igreja, que anima e impele toda a evangelização.
O Papa João Paulo II escreve: “O Espírito Santo é o protagonista de toda a missão eclesial: a Sua obra brilha esplendorosamente na missão ad gentes, como se vê na Igreja primitiva pela conversão de Cornélio (At 10), pelas decisões acerca dos problemas surgidos (At 15), e pela escolha dos territórios e povos (At 16,6ss)”. (Redemptoris Missio, 21.)
Minha vida está em paz? Conto com o Espírito Santo, invocando-o em minhas decisões? Deixo-me guiar por ele em minha missão cristã?

Orai sem cessar: “Jesus Cristo, Cordeiro de Deus, dai-nos a paz!”

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