MULHER, POR QUE CHORAS? (Jo 20,11-18) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

MADALENADiante da figura de Maria de Mágdala a chorar junto ao sepulcro de Jesus, logo vem à nossa mente a imagem da amada do Cântico dos Cânticos, que buscava insone pelo Amado: “Sobre meu leito, ao longo da noite, procuro aquele que eu amo. Eu procuro, não o encontro. Tenho de levantar-me, dar a volta pela cidade; nas ruas, nas praças, procurar aquele que eu amo”. (Ct 3,1-2.)
Só que, no caso de Maria, já não há razões para chorar a morte de seu amado… Jesus ressuscitou! Mergulhada no sofrimento, sufocada pela dor, ela permanece olhando na direção errada: ainda tem os olhos fixos no túmulo abandonado, enquanto o Mestre amado está bem próximo, logo às suas costas. E quando Jesus lhe dirige a palavra, Maria imagina falar com o jardineiro.
Até que Jesus a chama pelo nome: “Mariâm”, em hebraico. E também em hebraico ela responde: “Rabbúni”, uma forma afetiva de Rabi, indicando uma espécie de posse: meu Mestre… Teria ela identificado, ao mesmo tempo, a voz de Jesus, inconfundível, e certa entonação personalizada de seu próprio nome: “Ninguém me chama desse jeito, a não ser Jesus!”
Feliz, bem-aventurada Maria de Mágdala, outrora pasto dos demônios, hoje discípula predileta! Feliz de todo aquele que ouve seu nome pronunciado amorosamente por Jesus! Feliz de quem chorava pelo Senhor e acabou consolado! Feliz daquele que pode testemunhar a Ressurreição!
Saltando de um extremo emocional ao polo oposto, o movimento natural de Maria Madalena é agarrar-se a Jesus, retê-lo junto a si, como posse pessoal. Gozar da incomparável alegria de sua intimidade. Mas Jesus a surpreende com uma missão, ainda nos albores de um novo amanhecer: “Vai ter com os meus irmãos…” E ela parte para anunciar: “Eu vi o Senhor, e eis o que ele me disse”.
A mulher que antes chorava sua perda pessoal é, agora, uma voz para testemunhar a vitória de Cristo sobre a morte. E ainda que o testemunho de uma mulher não convença de imediato os discípulos medrosos e desanimados, Madalena é a imagem da nova Mulher, remida e projetada na estrada do Evangelho. Daí em diante, por toda a História da Igreja, as mulheres cristãs assumirão na sociedade iniciativas e responsabilidades que o mundo pagão praticamente desconhecia.
Como tenho vivido a minha vida pessoal? Continuo chorando rios de lágrimas, fechado em minhas próprias dores, lamentando meus fracassos, quando o Senhor tem uma missão pessoal para mim?
Orai sem cessar: “Encontrei aquele que meu coração ama!” (Ct 3,4)
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