DESDE O MEU NASCIMENTO… (Is 49,1-6) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

NatividadeCristoOs inspirados ícones orientais da Natividade de Jesus Cristo – geralmente intitulados de “gennesis”, pois em Belém a História humana reparte do zero, com o nascimento do Novo Adão -, retratam o recém-nascido envolvido em faixas, como uma pequena múmia. E isto não é por acaso: a imagem escolhida pelos monges iconógrafos tem uma intenção catequética, apontando para o destino da criança, isto é, morrer e, envolvida em bandagens, ser afinal depositada no túmulo.
A contemplação aponta para uma vida toda situada entre duas grutas: a de Belém e a do Santo Sepulcro. Por absurdo que nos pareça, Jesus nasce para… morrer! Considerada sob este ângulo, a morte de Jesus já não parecerá um acidente de percurso, um evento ligado às circunstâncias históricas ou, pior ainda, ao abandono do Pai. Não por acaso, o Símbolo dos Apóstolos assim resume a vida de Cristo: “nasceu… padeceu… foi crucificado, morto e sepultado…”
Esta passagem de Isaías 49 fala de um “chamado”, isto é, vocação e missão, cujas raízes estão situadas “no seio de minha mãe”, ou seja, desde o primeiro instante. Imagem forte que nos ensina, por um lado, que não existem vidas “por acaso”. Antes, sinaliza que cada pessoa que vem a este mundo foi querida pessoalmente por Deus, independentemente das circunstâncias de sua concepção.
Por outro lado, cada existência humana corresponde a um chamado de Deus, isto é, uma intencional orientação do novo ser para uma tarefa personalizada, típica, intransferível. Basta isto para demonstrar a dignidade de cada pessoa humana, por mais frágil e deficiente que ela nos pareça…
Alguém diria que isto desvaloriza nossa história… Ou que parecemos marionetes nos cordéis de um demiurgo. Que somos despojados de nossa liberdade. Nada disso! Nós permanecemos sempre livres para dizer ‘não’. Somos livres para recusar o chamado de Deus e traçar nosso próprio caminho, orientados por nossos instintos, pela propaganda do sistema ou por sonhos de grandeza e poder.
Só que Jesus Cristo não fez assim. Seu exemplo é bem outro. Consciente da missão que o Pai lhe confiara – “desde o seio de minha Mãe” -, Jesus segue adiante, obediente e fiel. Graças à sua obediência, nós fomos salvos das trevas do pecado. Vimos a luz brilhar em nosso caminho.
Há muita gente, ainda hoje, que vive nas trevas. Se recusamos nossa vocação, eles permanecerão nas trevas…
Orai sem cessar: “Em vós eu me apoiei desde que nasci!” (Sl 71,6)
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