O PRIMEIRO DE TODOS… (Mc 12,28b-34) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

unidos

As páginas da Sagrada Escritura estão cheias de exortações, preceitos e mandamentos. Alguns deles são de ordem individual: “Todo homem prudente age com conhecimento de causa.” (Pr 13,16.) Outros, de ordem familiar: “Honra teu pai e tua mãe, para que tenhas vida longa sobre a terra.” (Dt 5,16.) E outros, ainda, de alcance social: “Não entregarás um escravo ao seu senhor, se ele se refugiou junto de ti.” (Dt 23,16.)
Mas essas diversas “leis” não possuem igualmente o mesmo valor. Precisamos levar em conta a hierarquia entre os preceitos e mandamentos. É disto que vem tratar o Evangelho de hoje, quando Jesus aponta como alicerce do Decálogo o “direito” do Deus único a um amor absoluto, sem limitações nem cláusulas condicionantes: “Ama o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças.”
E se este “primeiro” mandamento não é levado em conta, isto é, se Deus não é reconhecido por nós como o único Absoluto, logo estaremos encontrando bons motivos e pretextos aceitáveis para não cumprir os demais, conforme nossos interesses e conveniências. Afinal, se não amo a Deus de modo absoluto, logo estarei amando o dinheiro, o poder, a fama, o prazer, a mesa farta ou a minha coleção de figurinhas premiadas. E estarei pronto a ferir alguém por causa de meus “amores”…
Daí, a conclusão óbvia: qualquer tentativa de viver uma ética puramente humana, baseada apenas no bem comum ou em uma espécie de aérea e esgarçada fraternidade universal, mas deixando de lado qualquer referência ao Criador, estará antecipadamente fadada ao fracasso. A Bíblia ensina que nosso comportamento moral é inseparável de nossa relação com Deus.
Na Encíclica “O Esplendor da Verdade”, sobre a doutrina moral da Igreja, o Papa João Paulo II já escrevia: “Os primeiros cristãos, provindos quer do povo judaico quer dos gentios, distinguiam-se dos pagãos não somente pela sua fé e pela liturgia, mas também pelo testemunho da própria conduta moral, inspirada na Nova Lei”. (VS, 26)
Isto devia ser tão claro, que sequer gerasse polêmica: se não temos um Pai comum, não somos irmãos. Se não somos irmãos, por que motivo iríamos abrir mão da ganância, do lucro, dos golpes que nos enriquecem e prejudicam a outros? Se não somos irmãos, por que motivo nos sacrificaríamos em benefício de outros? A fraternidade na horizontal humana só tem sentido se vivemos a filiação na vertical divina. Não há irmãos sem um Pai comum…
Um belo projeto de vida: viver como irmãos!

Orai sem cessar: “Quanto eu amo a tua Lei, Senhor!” (Sl 119,97)

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