E DAR A SUA VIDA… (Mt 20,17-28) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

image[3]O amor é assim. Vive para morrer. Morre para que o outro viva. E acha o seu sentido profundo quando gasta a vida pelo bem do outro. Jesus assevera: “Ninguém tem maior amor do que quem dá a vida por seu amigo”. (Jo 15,13.) As hipóteses freudianas sobre o homem divergem da mensagem do Evangelho: pregam a afirmação de si mesmo, a busca de realização pessoal, a recusa de toda ascese, o abandono às próprias inclinações e a repulsa por todo sacrifício.
Claro: Freud e o Evangelho são antípodas… E desde que sua psicologia se vulgarizou, infiltrando-se na sociedade do Ocidente, foi minguando e se exaurindo a nossa capacidade de doação, a disposição para o altruísmo, a experiência de uma vida centrada no Outro. Sempre mais egoístas, roubamos do amor seu sopro de eternidade para viver com mesquinhez as realidades terrestres.
Em sua Encíclica “Deus é amor” [Deus caritas est], o Papa Bento XVI escreve: “A verdadeira novidade do Novo Testamento não reside em novas ideias, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos – um incrível realismo. […] Na sua morte de cruz, cumpre-se aquele virar-se de Deus contra si próprio, com o qual Ele se entrega para levantar o homem e salvá-lo – o amor na sua forma mais radical. O olhar fixo no lado transpassado de Cristo, de que fala João (cf. 19,37), compreende o que serviu de ponto de partida a esta Carta Encíclica: “Deus é amor” (1Jo 4,8). É lá que esta verdade pode ser contemplada. E começando de lá, pretende-se agora definir em que consiste o amor. A partir daquele olhar, o cristão encontra o caminho do seu viver e amar.” (DCE, 12.)
Coerente, Jesus vive o que ensinou. Humilde, entrega-se à morte ignominiosa, entre dois malfeitores, remindo com seu sangue a humanidade decaída. João resume o sentido de sua entrega: “Tanto Deus amou o mundo, que lhe entregou seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16.) Os mártires testemunham que esse amor é possível. Tendo provado o amor eterno – experiência totalizante que a tudo relativiza – entregam sua vida alegremente, entre cânticos de louvor, enquanto pedem a Deus que seja clemente com seus algozes.
Há martírios em nossas vidas. A mãe sofre os incômodos da gravidez e as dores do parto para gerar vida nova. O pai tem as mãos calejadas para sustentar a família. O médico se expõe ao contágio para cuidar dos enfermos. A mestra se sacrifica pelos alunos. E tanta gente simples valoriza amigos e vizinhos, acolhe o migrante que passa… São todos eles um Evangelho vivo. Dão a vida e sabem servir…

Orai sem cessar: “Se morrermos com Cristo, com ele viveremos.” (2Tm 2,11)

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