E TODOS VÓS SOIS IRMÃOS… (Mt 23,1-12) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

papa 2As divisões e hostilidades entre aqueles que dizem seguir o mesmo Mestre constituem um escândalo para o mundo. Guerras violentas entre nações cristãs, ásperos conflitos entre equipes de pastoral, discórdias entre membros da mesma família – não importa a dimensão dos adversários – acabam desmentindo a fé que proclamamos. Se um marciano pousasse no planeta Terra, teria dificuldade em acreditar que somos membros da mesma raça.
Um olhar neutro percebe que estamos longe de viver como irmãos… Na Exortação Apostólica “Reconciliação e Penitência” (1984), o Papa João Paulo II recordava os dolorosos fenômenos sociais de nosso tempo:
– direitos da pessoa humana espezinhados, em especial o direito à vida;
– insídias e pressões contra a liberdade dos indivíduos e das coletividades;
– discriminação racial, cultural, religiosa, etc.;
– violência e terrorismo; tortura e repressão ilegítima;
– acumulação de armas convencionais e atômicas;
– distribuição iníqua dos recursos e bens da civilização;
– progressivo distanciamento entre ricos e pobres.
No entanto, ao mesmo tempo, experimenta-se uma profunda “nostalgia de reconciliação”. “O mesmo olhar indagador – afirmava o Papa – se é suficientemente perspicaz, captará no seio da divisão um desejo inconfundível, da parte dos homens de boa vontade e dos verdadeiros cristãos, de recompor as fraturas, de cicatrizar as lacerações e de instaurar, em todos os níveis, uma unidade essencial. Este desejo comporta, em muitos casos, uma verdadeira nostalgia de reconciliação, mesmo quando não é usada tal palavra.” (RP, 3.)
Desde a segunda metade do Séc. XX, após o desastre e a agonia de duas guerras mundiais, inúmeras vozes se ergueram para clamar pela reconciliação. Belíssimos gestos humanos foram dados nesse sentido, ao estender as mãos sobre muralhas seculares de ódio e antagonismo. Na passagem do milênio, o próprio João Paulo II encabeçou um sentido processo de purificação da memória, ao pedir perdão, em nome de toda a Igreja, por faltas cometidas no passado.
Encontros de lideranças internacionais, visitas do Papa à sinagoga e ao Patriarca ortodoxo, suspensão mútua de excomunhões – tudo sinaliza o mesmo anseio de unidade e paz. A paz se constrói de gestos pequenos, diários. Seu ingrediente essencial é o perdão, que permite reatar a amizade rompida e recomeçar um caminho de fraternidade.
Por onde começaríamos nós?

Orai sem cessar: “A paz esteja convosco!” (Jo 20,19)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s