PAI NOSSO… (Mt 6,7-15) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

josc3a9-do-egitoO cristão não reza assim: “Pai meu…” Ao ser batizado, ele foi mergulhado no seio da família trinitária. Por esse mesmo pórtico, ele entrou na Igreja e passou a fazer parte de uma família. Por isso, desde então, ele reza assim: “Pai nosso…”
Charles de Foucauld anotou em seus “Cadernos”: “Já que sois meu Pai, ó meu Deus, quanto eu devo sempre esperar em Vós! Mas também, já que sois tão bom para mim, quanto eu devo ser bom para os outros! Já que Vós quereis ser meu Pai e Pai de todos os homens, como eu devo ter para todo homem – seja quem for, por pior que ele seja – os sentimentos de um terno irmão! […] Nosso Pai, Pai nosso, ensinai-me a ter este nome sem cessar em meus lábios, com Jesus, nele e por ele, pois poder dizê-lo é minha maior felicidade…”
Mas não podemos estacionar no porto do lirismo. Reconhecer que Deus é Pai NOSSO traz exigências de comunhão. Se o Pai é NOSSO, então serão igualmente “nossos”: o PÃO, as OFENSAS, o BEM. Pão para a partilha. Ofensas para o perdão. E o Bem que chamamos de bem-comum. E nós, os cristãos, devemos lutar para tornar real essa comunhão que foi iniciada por nosso Batismo.
É nesta moldura que podemos entender o quadro da Igreja de Pentecostes: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía: mas tudo entre eles era comum.” (At 4,32-33.) Na prática, se não temos um Pai comum, não somos irmãos. A experiência da fraternidade deriva diretamente da experiência da filiação. Enquanto não re-conheço meu Pai, não re-conhecerei meus irmãos… A história de José do Egito é proverbial nesse sentido.
Quando o Pai nos adotou a todos… Quando o Filho morreu por todos… Quando o Espírito de Pentecostes faz falar “todas as nações que há debaixo do céu”… é porque se faz possível uma nova relação entre todos os homens, acima e além de qualquer barreira racial, política ou ideológica!
Não há nada mais comprometedor que rezar o Pai-Nosso. Para entrar em seu sacrário interior, ele exige que deixemos lá fora o sentimento de superioridade, rancores e projetos de vingança, abrindo braços e coração. Do contrário, poderemos ouvir a pergunta feita a Caim: “Onde está o teu irmão?”

Orai sem cessar: “Oh! Como é bom e agradável   irmãos unidos viverem juntos!” (Sl 133,1)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s