ENTRAI NA HERANÇA DO REINO! (Mt 25,31-46) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

filhoPodemos viver nossa religião como mendigos, tentando arrancar uma esmolinha de Deus, como se ele não fosse nosso Pai. O filho pródigo cometeu este engano: chegou a propor ao Pai que o tratasse como servo da casa, como se fosse possível um pai deixar de ser pai…
Podemos viver nossa religião como atletas, exercitando os músculos das virtudes para, após longo treinamento, vencer a olimpíada do espírito e subir no pódio, coroados com os louros celestes. Com os anjos aplaudindo, é claro!
Podemos até viver nossa religião como alquimistas medievais, debruçados sobre velhos pergaminhos, em busca da sonhada pedra filosofal. Uma vez dominado o secreto conhecimento das coisas divinas, teríamos o céu num piscar de olhos: pura mágica!
De um modo ou de outro, estamos longe da estrada real. Nem mendigos, nem recordistas, nem “iluminados”. Cristianismo é outra coisa… O cristão – desde o seu Batismo – foi adotado como filho. Já não é mais escravo. Nem mesmo simples criatura. Na estatura de filho, o cristão tem direito à herança!
Lembra-se de Abrão e de sua queixa ao Senhor Javé? Velho e sem herdeiros, sua herança acabaria nas mãos do escravo que vivia em sua casa (cf. Gn 15,2). Mas, apesar da gemedeira do ancião, Deus tinha outros planos, que incluíam uma numerosa descendência para Abraão, culminando com o nascimento de Jesus.
Isto devia ser bem claro para nós: somos herdeiros de Deus. Em Jesus, enxertados em seu corpo, o que espera por nós é uma herança que não se traduz em valores materiais, objetos, terras e rebanhos. É o próprio Senhor!
Mas nossa herança é típica, diferente de todas as outras. Os outros herdeiros devem esperar a morte do pai para terem acesso à herança. Em nosso caso, não há nada a esperar. Afinal, Jesus já morreu por nós. Isto quer dizer que podemos tomar posse da herança desde já, aqui na terra, ainda que de modo parcial. Já é possível viver nossa condição de herdeiros em nossos dia-a-dia, fruindo o amor infinito que o Pai derrama sobre “todo homem que vem a este mundo”.
Se eu fosse Deus e Pai, ficaria muito chateado com essa multidão de mendigos…

Orai sem cessar: “O Senhor é minha herança e minha parte na taça.” (Sl 16,5)

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