QUEM IRÁ POR NÓS? (Is 6,1-2a.3-8) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

isac3adasNo tempo do profeta Isaías, os governantes buscavam por segurança através de alianças políticas e militares com poderosos impérios pagãos. No fundo, infiltrava-se a desconfiança em apostar no poder de Deus. É neste contexto que o Senhor Yahweh procura por alguém que fale ao povo em seu nome e reavive a fé no Senhor, depositando exclusivamente em Yahweh a sua confiança.
Durante uma liturgia no Templo, Isaías presencia uma manifestação divina, na presença dos anjos. Esta notável teofania – que inclui uma espécie de cauterização de seus lábios, purificando-o para a missão – anima o jovem Isaías a assumir a missão que Deus lhe apresenta.
Hoje, igualmente, a solução dos problemas que ameaçam a sobrevivência da humanidade parece depender apenas de nossos recursos humanos: tecnologias, pressão política, macroeconomia, acordos internacionais, num misto de esforço e boa vontade. Ora, Deus sabe que não é assim. Sabe que não podemos ser nossos próprios salvadores. Vendo-nos longe dos caminhos que Ele traçou para nós, dominados pelo ódio e pela cobiça, o Senhor deseja refrescar nossa memória e nos reconduzir à trilha do bem.
Assim, tal como no tempo de Isaías, o Senhor se pergunta: “A quem enviarei? Quem irá por nós?” Equivale a dizer: “Onde estão os homens e as mulheres deste tempo que poderão levar minha palavra à multidão que foi cegada pelas luzes do mundo? Quem será o meu profeta?”
Estamos falando de vocação. Todos nós viemos a este mundo em função de um chamado. O simples fato de existir demonstra que fomos chamados. Pais e mães, professores e médicos, projetistas e pesquisadores, os que plantam o trigo e os que fabricam o pão – todos somos chamados a tomar parte na edificação de um Reino para Deus na cidade dos homens.
O Século XX pôde contemplar a notável ação de homens e mulheres – como Madre Teresa de Calcutá e João Paulo II -, que responderam afirmativamente ao chamado de Deus e consagraram sua vida à salvação de seus irmãos. Atrás de si, deixaram um rastro de amor e sacrifício, acendendo fachos de esperança que o tempo jamais apagará.
E nós? Que resposta daremos nós?
Orai sem cessar: “Aqui estou, envia-me!” (Is 6,8)
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