TEMPLO NÃO É “SALA DE ESPERA” – Texto de Anderson Dideco.

Carvalhosa_03-1024x682Detesto que tenha que ser justo eu a tocar nessas “feridas” purulentas. Mas, fazer o quê, se a missão profética do batizado esbarra, vez por outra, em dizer o que nem sempre se quer ouvir, e que outros tantos não se interessam em anunciar?

Pois que seja eu.

É que acho necessário dizer – como o título antecipa – que o templo sagrado não é uma mera “sala de espera”. Não sei, mas a atitude por demais informal e, em muitas ocasiões, até desrespeitosa da maioria dos que frequentam os templos católicos (os únicos que eu mesmo frequento, e sobre os quais posso, portanto, atestar) dão-me a impressão de que eles não sabem disso; ou, pelo menos, que esqueceram.

Seja em qual dos casos você, leitor, eventualmente se enquadre, aproveite para meditar comigo.

Nós, católicos, cremos na presença sacramental de Jesus na Hóstia Consagrada, que por isso é solenemente conservada em nossos sacrários, para “conforto dos fiéis”, segundo uma antiga oração. Aquela luz vermelha, acesa ao lado dos citados tabernáculos – que contêm, pois, a maior riqueza da Igreja: o seu fundador Ressuscitado – não é apenas um rigor “estilístico” de designers de interiores: essa luz sinaliza que há, no sacrário em questão, essa presença, confortadora e consubstancial, de um Deus que se fez Homem e (não satisfeito) ainda se fez Pão, para nossa salvação.

Ora, essa consciência de um Deus presente, vivo e atuante em nosso meio, devia nos compungir até o mais fundo do coração. Entretanto, não é o que se vê. Cada vez é mais comum encontrarmos pessoas (até mesmo idosas!; não é, de modo algum, uma prerrogativa da “famigerada” juventude) que não sabem se comportar num templo cristão.

Já não estou nem me referindo à cachimônia de se atender um telefone celular em plena celebração eucarística, mas à sem-cerimônia com que, de modo geral, conversa-se de tudo e com todos enquanto se aguarda o início da Missa ou de qualquer outro sacramento a ser ministrado em nossas igrejas.

Tornaram o ambiente sagrado em uma profana “sala de espera” na qual, tão somente, se aguarda o início de um “evento”, mais ou menos importante, conforme o grau de devoção que ainda permaneça nesses corações insensíveis.

É ou não é de se lamentar? Ou só eu me incomodo, me roo por dentro de uma “santa ira” inconformista? Ah, se Jesus nos tratasse, ainda hoje, com seus famosos chicotes… É que Ele – graças Lhe sejam dadas por isso! – é de uma complacência tão eterna quanto infinita.

Vejam bem que o mais grave dessa situação não é o “incômodo” em si que isso cause a quem, como eu, esteja buscando o templo com o intuito de interiorizar-se e encontrar-se com o Senhor. Isso tem remédio, pois quem está em Deus não se deixa afetar por “ruídos” exteriores – por mais que, às vezes, seja bem difícil! Como diz a Palavra: “Cairão dez mil à tua direita e tu não serás atingido!”

O que me causa mais preocupação é constatar que essas pessoas perdem a oportunidade única e, talvez, irrepetível, de justamente se beneficiarem desse possível e tão facilitado Encontro com que Deus nos quer agraciar – não tendo sido outra, senão essa, a intenção que O levou a se “deixar ficar” em nossos sacrários. Ele está lá, à “nossa” disposição, pronto a atender às nossas súplicas e necessidades mais frementes… e nós, distraídos, dispersos, ocupados e preocupados demais, deixamos a graça passar. Tenho medo.

Ou será que são poucos, nesse mundo, que realmente necessitam de uma intervenção poderosa de Deus em suas vidas? Talvez estejam todos, hoje em dia, sem dramas e sem complicações em suas existências, de modo que podem, até mesmo, abrir mão de se dirigirem a Deus, quer para pedir, quer para agradecer, seja lá o que for!

Quem sabe só eu e uns poucos pecadores inveterados ainda estejamos tão conscientes de nossa fraqueza e dependência de Deus que insistamos em precisar orar e nos dirigir ao Todo Poderoso, em busca da Sua Misericórdia e da Sua Providência. Vai ver que é isso, e todo esse texto se revela uma inútil e descabida queixa a que não se deva dar atenção.

Não deveríamos jamais nos “acostumar” com a sacralidade das coisas relativas à fé ao ponto de adotarmos um posicionamento tão “sacrílego”. Dessacralizamo-nos, esquecidos de que somos nós os verdadeiros templos da Nova Aliança, e que é em nosso coração – ou seja: no mais íntimo de nós – que Deus quer se fazer “pressentir”, quer enfim “habitar”. Mas se não “Lhe abrimos a porta” – ou, por outra, se estamos com estas tão “escancaradas” que se torna impossível o desejado grau de intimidade que uma Presença (tão solene e tão amorosa, a um só tempo) pressupõe, seremos os mais prejudicados.

Pois, de fato, Deus (sendo, como é, Absoluto) não precisa de nós para nada; embora Ele queira contar com nosso amor e dedicação, esses nada acrescentam ao que Ele É (aliás, esse é o Seu nome, revelado a Moisés. Por aí se vê.).

E nós? Precisamos de Deus? Temos recorrido a Ele? Ou temos assunto mais importante a tratar que não nos importamos, sequer, de virar-Lhe nossas costas no templo onde Ele “se deixa encontrar”?

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