NÃO TE É LÍCITO! (Mc 6,14-29) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

jbaptist-deathAinda que tenha sido criado como um ser livre, nem tudo é permitido ao homem. O Criador nos deu a liberdade para o bem e ela só alcança sua perfeição quando ordenada para Deus.
Ensina o Catecismo da Igreja Católica: “Deus criou o homem dotado de razão e lhe conferiu a dignidade de uma pessoa agraciada com a iniciativa e domínio de seus atos. ‘Deus abandonou o homem nas mãos de sua própria decisão’ (Eclo 15,14) para que pudesse ele mesmo procurar seu Criador e, aderindo livremente a ele, chegar à plena e feliz perfeição.” (nº 1730)
Ora, Herodes, tetrarca da Galileia, vivia como marido da esposa de seu próprio irmão Filipe. Além do escândalo causado por um comportamento público que ofendia a santidade da vida conjugal, batia de frente contra a lei divina, expressa no Levítico: “Não descobrirás a nudez da mulher de teu irmão.” (Lv 18,16.)
João Batista, o admirável precursor do Messias, teve a ousadia profética de somar ao anúncio do Reino de Deus a denúncia dos crimes do poderoso. Isto lhe valeu a prisão e a morte, crescendo ainda mais na veneração do povo de seu tempo. Afinal, naquele tempo como hoje, não é qualquer um que tem a coragem de apontar o dedo no nariz dos governantes para cobrar seus desvios e sua corrupção.
Hoje, a Igreja de Jesus Cristo mantém viva a missão profética de João Batista e, por isso mesmo, é tão incômoda quanto o profeta o foi no seu tempo. Enquanto o mundo neopagão – que considera virtudes todos os vícios típicos da vida “natural” -, sempre ansioso pelo retorno às cavernas, investe em uma cultura de morte, a Igreja acampa no polo oposto, em permanente luta pela vida.
Quando a sociedade materialista insiste em defender pretenso “direito” à eutanásia e ao aborto, a Igreja de Jesus Cristo não pode calar-se, repetindo a voz divina do Sinai: “Não matarás!” Quando o século hedonista faz propaganda do divórcio e do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, a Igreja não teme ser rotulada de conservadora e retrógrada, mas insiste naquela “lei natural” que o próprio Cristo reafirmou. Diante de Deus, o “legal” jamais poderá substituir o “legítimo”.
Por isso mesmo, toda que vez que um tirano sobe ao poder – como Hitler na Alemanha nazista e Stálin na Rússia comunista -, seu inimigo preferencial é a Igreja, pois ela não se intimida nem silencia diante dos crimes do Poder. Ao contrário, como João Batista, ela aponta e grita: “Não te é lícito!”
Afinal, de que lado estamos nós?

Orai sem cessar: “Por amor a Sião, eu não me calarei!” (Is 62,1)

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