QUE SABEDORIA É ESTA? (Mc 6,1-6) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

carpinteiroO homem é um ser que faz perguntas. É também uma criatura capaz de admiração. Diferente de qualquer outro ser criado, o ser humano vai além da casca do mundo, da periferia das coisas. Melhor ainda quando, depois de admirar e perguntar, chega também a amar… No Evangelho de hoje, Jesus ensina na sinagoga de Nazaré, sua “terra” de criação. É natural que um visitante, de volta à cidade onde cresceu, receba algum tipo de homenagem, como ser encarregado de ler e comentar a Palavra de Deus na reunião da comunidade. Aliás, sei disso por experiência própria…
Só que Jesus era ali bem conhecido como o “filho do carpinteiro”, um aprendiz que talvez nem tivesse tido tempo de se aperfeiçoar no ofício. Mas ei-lo a pregar como um rabino e a interpretar como um doutor da lei. Digo mal: Jesus superava em muito os rabis e doutores de seu tempo, pois demonstrava uma autoridade pessoal, coisa inexistente nos homens da sinagoga e nos dirigentes do Templo.
Daí as perguntas: Que sabedoria é esta? De onde lhe vem isto? Que poder prodigioso é este que ele manifesta? Nada se encaixava na imagem que dele faziam os conterrâneos. E não deram o passo seguinte: acolher a Jesus e sua mensagem. Uma boa dose de preconceito (Um roceiro ensinando? Um trabalhador braçal metido a doutor? O sem-diploma bancando o Mestre?) explica seu escândalo e rejeição, confirmando o velho ditado deles conhecido: “Ninguém é profeta em sua terra.”
E nós? Ainda somos capazes de fazer perguntas? Ainda insistimos em achar respostas? Procuramos pelo sentido profundo da existência? Ou já estamos incluídos nessa multidão amorfa que, diante dos mistérios da vida e dos sinais dos tempos, se limita a murmurar baixinho: “É isso aí…”? “Homo viator”, homem caminheiro, nossa vocação é buscar, insistir, bater à porta, sem jamais desanimar na procura do Absoluto. Ao fim da estrada, a luz se mostrará. A esperança será recompensada.
Lembrar do Apóstolo Paulo, já em final de carreira: “Não pretendo dizer que já alcancei esta meta e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não a ter ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo.” (Fl 3,12-14)
Orai sem cessar: “Quem és tu, Senhor?” (At 9,5)
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