À SUA SOMBRA… (Mc 4,26-34) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

mostardaAfinal, como definir o Reino de Deus? Neste Evangelho, Jesus nos apresenta o Reino de Deus como um “espaço de acolhida”. Foi de início minúscula semente. Lançada à terra, ela germinou e cresceu. Tempos depois (nunca sabemos quanto!), desenvolveu-se o suficiente para ter galhos fortes, capazes de sustentar os ninhos das aves do céu, que ali encontram segurança e proteção.
Sim, esta é uma imagem dinâmica: fala de um Reino sempre em transformação, em crescimento, nunca pronto. Mas a imagem também aponta para uma finalidade: existem, ao longe, aves do céu (isto é, povos estrangeiros, que não conhecem ainda a Boa Nova do Evangelho) que irão precisar de pouso e acolhida. Aceitaremos despertá-las para este espaço que lhes é oferecido? Pois esta é nossa missão…
A Igreja (como parte do Reino de Deus) não existe para si mesma. Desde Pentecostes, ela existe para a Humanidade inteira. Que nos ensina o Concílio Vaticano II? “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Não se encontra nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração.” (Gaudium et Spes,1.)
O arbusto da mostarda – que chega a uns 3m de altura na Palestina – serve de inspiração para nossas famílias. Precisamos crescer a ponto de acolher os outros. Se nós ficamos raquíticos, não nos sentimos capazes de acolher a ninguém. Nem mesmo os próprios filhos! Aliás, é esse mesmo raquitismo espiritual (e não a conjuntura econômica!) que nos leva a evitar filhos. Logo o verbo “evitar”, que se aplica a pragas, doenças e desastres…
Ao contrário, se crescemos como árvore frondosa, temos ramos suficientes para acolher os filhos. Ali, eles serão gerados, educados, formados na fé. Por sua vez, quando o vento soprar e levar bem longe as sementes da paineira (Epa! A árvore cresceu!), serão eles os geradores de novos núcleos familiares, cheios de vida e de força, para acolher tantas aves migratórias em busca de descanso…
Não só as famílias… Não só a paróquia… Também as comunidades novas, os Institutos religiosos – todos são chamados a crescer como o grão de mostarda. O mundo sofrido e perplexo precisa de nós, hoje mais do que nunca! “As presentes condições do mundo tornam ainda mais urgente este dever da Igreja, a fim de que os homens, hoje mais intimamente unidos por vários vínculos sociais, técnicos e culturais, alcancem também total unidade em Cristo.” (Lumen Gentium, 1.)

Orai sem cessar: “E grande será a paz dos teus filhos!” (Is 54,13)
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