SE UM REINO SE DIVIDE… (Mc 3,22-30) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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 A união faz a força. Um feixe de varas resiste mais que uma vara isolada. Isto é sabença do povo. Quando os escribas se recusam a reconhecer os milagres de Jesus como um sinal divino, atribuem a Satanás o poder que se manifestava no Nazareno. Jesus responde com uma argumentação pelo absurdo: se Satã expulsa seus próprios demônios, seu reino está dividido e acabará em ruínas.
Deixando de lado a questão da guerra dos espíritos, vale a pena refletir sobre o princípio que o Senhor nos dá: uma casa dividida não tem futuro. Se os que moram na mesma casa não reúnem suas forças, acabarão arruinados.
Esta verdade vale para todo grupo humano: famílias, equipes de trabalho, empresas, comunidades e Institutos religiosos. Estes têm seu carisma como princípio unificador. As empresas possuem seus objetivos como traço de união. A família vive o amor como a ponte que a todos aproxima, como argamassa que reúne as pedras da construção.
Até no futebol, o senso coletivo deve prevalecer sobre os brilharecos e firulas individuais. Não é à toa que os americanos chamam este esporte de “soccer”, acentuando seu lado “social” de interação e cooperação. A equipe treina em conjunto, dorme na mesma concentração e disputa o jogo ao mesmo tempo, vestindo a mesma camisa. Vencendo, todos comemoram; se perdem, todos se sentem humilhados.
A Igreja – barca de Pedro – é uma grande tripulação. Estamos espalhados por todo o planeta e há trabalho para todos. Temos um mesmo timoneiro: Jesus. Desempenhamos, no entanto, diferentes funções: uns cuidam das velas, outros observam as estrelas e traçam o rumo, outros cozinham para a tripulação. Todos são essenciais. A falha de um só pode ser o desastre de todos…
Um grupo precisa de rituais de aproximação e convivência. Ali se unem almas e corações, preparando-se para as tempestades de toda viagem. Quando as famílias faziam as refeições em comum e seus membros se levantavam e deitavam na mesma hora, havia mais unidade no lar. Hoje, quando há um televisor em cada quarto – porque os membros da mesma família não conseguem chegar a um acordo sobre o programa que poderiam ver juntos -, o individualismo está minando nossa unidade.
Em tempos de discórdias e dissensões, que posso fazer para estreitar os laços de minha família? Que gestos estão ao meu alcance para estender pontes entre os grupos que estão separados?

Orai sem cessar: “Oh! Como é bom e agradável irmãos unidos viverem juntos!” (Sl 133,1)

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