E HABITOU ENTRE NÓS… (Jo 1,1-18) – Texto e Soneto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

presépioA antiga profecia falava de uma Virgem que daria à luz um menino, como sinal de que Deus estava presente e acompanhava os caminhos do povo da Aliança. E o nome do menino seria Emanuel, isto é, Deus conosco. É comum traduzir este nome profético (pois aponta a descida do Verbo ao nosso mundo) apenas em sentido social: Deus entre nós, no meio do povo.Mas é muito mais amplo e profundo o sentido do nome Emanuel: Deus-conosco quer dizer também Deus-em-nós, na carne dos humanos. Com certeza, desde a Anunciação – quando Maria ouviu do Anjo Gabriel: “O Senhor está contigo” -, tão logo disse seu sim, Maria teve consciência de que Deus estava em seu íntimo de forma palpável. Estava cumprida a promessa do Emanuel…
Diferente daquela “presença” do Antigo Testamento, quando Deus se “mostrava” na sarça ardente, na nuvem luminosa, nos trovões do Sinai, agora vê-se a presença corporal, pois o Filho de Deus se encarnou e nasceu de Mulher.
Não podemos imaginar o cenário de Belém, quando dormia sobre a palha da manjedoura um Menino que era Deus, mas tinha um corpo de homem. Não sabemos recuperar aquele olhar de Maria sobre o recém-nascido, pura contemplação do Deus encarnado. No máximo, nos aproximamos disso, quando fitamos Jesus eucarístico presente na Hóstia consagrada. De qualquer modo, o verbo grego que traduzimos por “habitou entre nós” – eskénosen – esconde em seu interior a palavra “tenda” – skéne. E eu gosto de pensar que Deus se agradou de nós a tal ponto, que veio acampar conosco, fincando definitivamente em nosso solo humano a sua barraca, a sua tenda.
Podemos encerrar o ano com o hino natalino composto por Santo Afonso de Ligório – “Tu scendi dalle stelle” -e traduzido por Dom Marcos Barbosa:

Desceste das estrelas, Rei celeste,
e à gruta escura e fria tu vieste:
ó divino Pequenino, eu te vejo aqui tremer,
Deus encarnado…
O quanto te custou me haver amado!
Tu, que plasmaste a terra e o céu fizeste,
faltam-te, agora, ó Deus, coberta e veste.
Ó querido estremecido, a que extremos queres vir:
esta pobreza
mostra, do teu amor, toda a riqueza.

NatalDEZEMBRO
Antônio Carlos Santini
Mais um ano agoniza… Que balanço
Tu fazes ao final da temporada?
Tiveste um saldo? Ou não te sobra nada
Que te garanta as férias e o descanso?
Mais um ano se acaba… Lento e manso,
O tempo vai roendo nossa estrada:
Rói a manhã, o dia, a madrugada
E nada faz deter o seu avanço…
Muita gente famosa, tantas vezes,
Avalia a colheita em doze meses
E vê o feijão bichado, o milho chocho…
Mas a alma recomeça e não se cansa,
Apostando de novo na Esperança
Se um Menino, em Belém, dorme no cocho…
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