O CAMELO E A AGULHA… (Mc 10,17-30) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

cameloCurioso este Evangelho! Um jovem na multidão sente-se atraído por Jesus e pretende entrar no grupo de seus discípulos. Evidentemente, alguma coisa o atraiu…
Talvez tenha admirado a alegria do grupo. Talvez tenha percebido o magnetismo de Jesus sobre a turba. Talvez tenha sentido o coração bater mais forte ao ouvir o ensinamento do Mestre. Seja como for, era um jovem verdadeiramente “amável”. Jesus olha para ele com amor (cf. Mc 10,21) e o convida a segui-lo, mas com uma condição: libertar-se previamente de seus apegos materiais, que seriam uma espécie de peso morto na caminhada até o Calvário.
O jovem ouve com tristeza essa proposta e se afasta. É quando Jesus dá aos discípulos esta breve lição sobre camelos e agulhas. Segundo ele, é bem mais fácil o camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Isto é, o apego às riquezas é sério obstáculo à salvação.
Neste ponto, pregadores e teólogos passam a praticar as mais contorcidas ginásticas para contornar a dura exigência do Mestre. Entre esses exercícios mentais, dizem que “camelo” não era o conhecido animal, mas uma corda usada pelos marinheiros, tecida de pelo de camelo. A “agulha” não seria a usual ferramenta das costureiras, mas uma portinhola embutida no portão da cidade antiga, para permitir a entrada, à noite, de algum retardatário.
Entretanto, Joachim Jeremias discorda. Para ele – e para mim também! – Jesus simplesmente escolheu o maior animal da Palestina – o camelo – e o menor furo então conhecido, o buraco de uma agulha. Foi a sua forma didática de deixar bem claro que só Deus pode realizar o grande milagre de nossa salvação.
Não percamos tempo e energia, tentando aumentar o furo da agulha ou emagrecer o camelo. Ricos e apegados, somos um “elefante” obeso que não passará pela porta. Todo missionário sabe muito bem como apegos familiares e a gerência de recursos materiais tornariam impossível a sua missão. Um sacerdote das Escolas Pias me disse certa vez: “Uma coisa boa de ser religioso é que, a cada dois anos, sou transferido e só posso levar o que couber em duas malas”.
E nós? Estamos livres ou sobrecarregados?
Orai sem cessar: “Descansa no Senhor e nele espera!” (Sl 37,7)
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