ESPERANÇA E HEROÍSMO: JOGOS PARAOLÍMPICOS – Texto de Rodrigo Moco, da Oficina de Valores.

jogosDepois de algum tempo sumido do Blog, retorno com um texto que eu gostaria de ter acabado na semana passada, mas em função do acúmulo de atividades eu não consegui. Como sabemos, ocorre a cada quatro anos o maior evento esportivo do planeta: os Jogos Olímpicos, que este ano aconteceram em Londres. Sendo sempre um grande espetáculo de repercussão mundial, contam com excelente cobertura das mídias, e até um apelo político relevante, afinal, os primeiros colocados no quadro de medalhas são, em sua maioria, os primeiros países em poder econômico. Contudo, minha proposta nesse texto não é falar das Olimpíadas, e sim da sua irmã menos famosa, as Paraolimpíadas.

Os jogos paraolímpicos acontecem também a cada quatro anos, cerca de um mês após os jogos olímpicos, com uma repercussão midiática bem inferior e quase nenhuma cobertura. Alguns, inclusive, simplesmente desconhecem a sua existência, dado o desinteresse social a respeito dos referidos jogos. Esse ano, eu vi muito desapontamento, tanto de pessoas próximas quanto em manifestações nas redes sociais e na TV, a respeito da participação do Brasil nos jogos olímpicos. Uma classificação pífia no quadro de medalhas, alguns atletas de quem se esperava muito e decepcionaram, e principalmente com os insucessos no Vôlei Masculino e no Futebol, este último com o tão sonhado ouro que não chegou dessa vez.

Ao fim das olimpíadas o Brasil ficou em 22° no quadro geral de medalhas, tendo conquistado 3 delas de ouro, 5 de prata e 9 de bronze. Isso reacendeu algumas discussões sobre a falta de atenção e incentivo dados ao esporte e aos atletas pelo governo. Acontece que esse mesmo país que sofre com a falta de apoio aos atletas e incentivo à prática esportiva, ganhou todos os holofotes um mês depois, também em Londres, com um histórico 7° lugar no quadro de medalhas, à frente de várias potências econômicas e esportivas e somente a uma posição dos EUA, tendo conquistado 21 medalhas de ouro, 14 de prata e 8 de bronze.

Se fosse possível, enalteceria aqui, um por um, todos os atletas responsáveis por esse desempenho fabuloso, mas não é essa a proposta do texto. Cabe, porém, dizer que dentre os êxitos que obtivemos estão uma dobradinha nos 200 m do atletismo para cegos, com ouro e prata, uma vitória espetacular nos 200 m para amputados, onde o brasileiro Alan desbancou a lenda Oscar Pistorius, que é o único atleta a disputar os dois jogos (olimpíadas e paraolimpíadas) e é claro os fenômenos das piscinas, Daniel e André, que juntos conquistaram 10 medalhas de ouro. Além do ouro no futebol que até hoje não vimos a cor nas Olimpíadas!

Pensar nas paraolimpíadas nos oferece um vasto campo de reflexão, no qual eu quero destacar alguns pontos: Não sei dizer se o desempenho nos jogos reflete um bom trabalho com deficientes no Brasil, me falta conhecimento sobre o assunto e, portanto, me abstenho de entrar nesse mérito. Todavia, é de nos encher de orgulho e esperança, perceber que somos representados por verdadeiros vencedores. Pessoas que não se deixaram abater pelas diversidades da vida, e tiraram proveito dos contratempos que enfrentaram, os utilizando como degraus para a escada da realização.

Quantas e quantas vezes, o fato de enfrentar uma situação de dificuldade me paralisou e me fez pensar nos atletas que tiveram graves problemas físicos, e até mentais, que ocasionaram paralisias reais, concretas e outras consequências em seus próprios corpos, e isso não foi empecilho para que eles descobrissem a força necessária para dar a volta por cima. Isso nos mostra que é necessário olhar além, além das dores e frustrações que enfrentamos, além das nossas aparentes limitações, sejam elas de que ordem for. Me recordo de uma frase marcante do filme “A Procura da Felicidade”, do Will Smith, onde ele diz para o filho algumas vezes: “Nunca permita que lhe digam o que você não é capaz de fazer.” E é justamente disso que nós precisamos.

Para finalizar o texto eu quero chamar a atenção para um ponto que talvez seja menos evidente e ainda mais inspirador. Além de vencerem os próprios limites, os nossos atletas superaram os limites sociais! Ora, se não há incentivo ao esporte de ponta olímpico, o que nos leva a crer que haverá com o paraolímpico? Apesar de todo o problema de gestão e falta de preocupação da política brasileira, eles se tornaram quase que de forma autônoma, potências esportivas. Isso é extraordinário. Somos acostumados, e, diga-se mal acostumados, a esperar do governo as medidas cabíveis para tudo. É óbvio que muita coisa que é da competência dos políticos não é feita, mas e a nossa parte? Estamos fazendo direito? Se ficarmos esperando nada será feito nunca. Qual é a transformação social que podemos realizar? É próprio dos super-heróis se tornarem modelos pelas suas conquistas improváveis, pela maneira dedicada e incansável como se consomem na luta por seus objetivos.

Sendo assim, que tomemos os atletas paraolímpicos como super-heróis. Modelos de garra, determinação, coragem, e, sobretudo, que os utilizemos como provas concretas de que é possível superar as nossas adversidades e fazer a diferença no contexto em que estamos.

Rodrigo Moco
Estudante de psicologia – UCP – Oficina de Valores
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