NEM EM ISRAEL! (Lc 7,1-10) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

350PX-~1O povo de Deus sempre foi um povo privilegiado. Israel sempre merecera um tratamento preferencial do Senhor Yahweh. Naturalmente, favor puxa favor. Amor com amor se paga. Exatamente de Israel o Senhor deveria esperar uma resposta mais pronta, um “amor de noivado” (cf. Jr 2,2).
Parece, porém, que esse povo acabou mimado… Acostumou-se a grandes milagres, como o Sol parado em sua órbita, o Mar Vermelho esgotado para que os hebreus passassem a pé enxuto, 40 anos de maná no deserto, matando a fome do povo.
Quando viesse Jesus, possível Messias, condicionariam sua adesão na fé à demonstração espetacular de sinais, milagres e portentos. Jesus não se dobrará às pretensões deles. O único “sinal” seria o do Profeta Jonas: após uma descida ao abismo, voltar à vida “ao terceiro dia”.
Enquanto isso, os estrangeiros (os goyim, os de fora, os não-povo) iriam surpreender a Jesus com seus atos de fé: a siro-fenícia que se satisfaz com as migalhas que caem da mesa hebraica / o leproso estrangeiro, o único dos dez, que voltou para agradecer a cura / e este centurião romano, que sequer exige a presença de Jesus em sua casa, mas crê que o Rabi tem o poder de curar à distância.
Em todos estes casos, o Rabi da Galileia manifesta sua admirada surpresa diante dos atos de fé algo inesperados em estrangeiros, que não podiam apoiar-se na experiência multissecular dos israelitas. Mesmo assim, esses estrangeiros apostavam todas as fichas em Jesus e… obtinham aquilo que imploravam!
Não critiquemos Israel. Cristãos que somos, fomos ainda mais agraciados com as preferências do Senhor. Temos o Evangelho e os sacramentos. Temos a Tradição e a Doutrina. O exemplo dos santos e o sangue dos mártires. Apesar de tudo isto, não sei se tal preferência nos moveu a uma adesão perfeita na fé… Pode ser que ainda estejamos à espera de “sinais”, aparições, milagres no varejo…
Hoje, há pessoas de boa vontade e coração sensível que se dedicam a salvar vidas e melhorar as condições dos mais pobres. Nós, os privilegiados, podemos viver de ritos e ignorar os que sofrem. Com certeza, mais uma vez, Cristo contemplará esses novos estrangeiros, admirado de sua capacidade de amar…
 
Orai sem cessar: “A caridade supre todas as faltas.” (Pr 10,12)
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