OFERECE A OUTRA FACE… (Lc 6,27-38) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

300PX-~1Mais uma vez, o Senhor nos escandaliza. Sou agredido em uma face e Ele me pede para apresentar também a outra?! Não tenho o direito de me defender do agressor? Bem, estamos aqui diante de uma situação que permite gradações de comportamento.
No tempo das cavernas, o agredido revidava além da conta. A vingança superava a ofensa. Tanto que foi dada aos antigos a lei de Talião: “Olho por olho, dente por dente” (cf. Mt 5,38). Permitia-se a vingança, mas proporcional à ofensa sofrida. Sim, já era um progresso, pois, se dependesse de nossa capacidade de odiar e revidar, a quem nos furasse um olho, vazaríamos os dois; a quem nos quebrasse um único dente, arrancaríamos a dentadura inteira. Somos assim… A “nova lei” ao menos estabelecia certo equilíbrio entre o crime a punição.
Veio Jesus Cristo e corrigiu o velho adágio: “Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau”. (Mt 5,39.) E não só ensinou assim, mas agiu de acordo com sua lição: cravado na cruz, rezava ao Pai em favor de seus agressores: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem!” (Lc 23,34.) Estevão, o protomártir, repetiria a mesma atitude (cf. At 7,60). E Maria Goretti, apunhalada seguidas vezes pelo jovem que tentava estuprá-la, perdoou-o antes de morrer.
Não deveríamos escandalizar-nos muito mais com esses exemplos do que com a lição do Mestre? Ou, quem sabe, escandalizar-nos com nossa facilidade em odiar e pedir vingança, com nossa dureza de coração?
Sim, existe o direito de defesa. O “Catecismo da Igreja Católica” (nº 2265) ensina: “A legítima defesa pode ser não somente um direito, mas um dever grave, para aquele que é responsável pela vida de outros. Preservar o bem comum da sociedade exige que o agressor seja impossibilitado de prejudicar a outrem. A este título os legítimos detentores da autoridade têm o direito de repelir pelas armas os agressores da comunidade civil pela qual são responsáveis”.
Este é o direito reconhecido. Mas não é forte o suficiente para nos levar a esquecer que Jesus recusou se defender, aceitando a prisão e a morte injustas. Não sem, antes, ordenar a Pedro que embainhasse a espada, alertando-o: “todos os que tomam espada morrerão pela espada”. (Mt 26,52.)
Orai sem cessar: “Procura a paz e vai atrás dela!” (Sl 34,15)
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