ÉDIPO E O MITO DA ESFINGE. O QUE TEM JESUS CRISTO A VER COM ISSO? – Texto de autor não citado.

édipo 2Introdução

Os mitos são muito importantes em todas as culturas. São histórias que duram muitos séculos e não têm autores conhecidos, porque foram elaborados por um povo e tocam as raízes do humano universal.

A história de Édipo tornou-se imortal quando foi elaborada pela tragédia grega, especialmente por Sófocles, no sec. V antes de Cristo. Os gregos trabalhavam as tragédias para provocar uma catarse (purificação) no povo. Mostravam que o ser humano tem a tendência de se separar de Deus pelo orgulho (hýbris) de suas realizações, mas que isso causa uma cegueira (ate) diante da vida. Então, uma ação dos deuses (ftónos theón) derruba-o para que possa encontrar o caminho da volta. Só assim ele poderá ser livre.

A história de Édipo

Édipo nasceu em Tebas e era descendente de seu mítico fundador, Cadmos. Seu avô foi Labdacos (o “coxo”) e seu pai foi Laios (o “canhoto”). Laios casou-se com Jocasta e teriam sido felizes como reis de Tebas se não fosse um problema: não conseguiam ter filhos. Por essa razão, muito religiosos, foram consultar o Oráculo de Delfos. No templo, a pitonisa délfica revelou que teriam um filho dentro de pouco tempo, mas que ele estava destinado a matar o pai e casar-se com a mãe.

Eles se alegraram pelo filho. Quando ele nasceu, Laios lembrou-se do oráculo e mandou os servos matarem o bebê. Levaram-no para uma a floresta, furaram-lhe os pés e o amarraram de ponta cabeça em uma árvore para ser devorado pelos animais selvagens. Passaram por ali uns pastores de Corinto e o levaram. Deram-no aos reis de Corinto, que também sofriam por não ter um filho. O rei e a rainha adotaram-no como se fosse seu, e lhe deram o nome de Édipo, que quer dizer “pés furados”.

Quando cresceu, Édipo começou a sentir-se diferente dos seus concidadãos e foi consultar o Oráculo de Delfos. Aí soube que estava destinado a matar o próprio pai e a casar-se com a mãe. Horrorizado, decidiu não voltar a Corinto. Pegou o carro e foi para bem longe. Em uma estrada estreita, nas montanhas, encontrou um carro maior na direção contrária. Tentou desviar-se mas os carros acabaram chocando-se de raspão. O cocheiro do outro carro xingou Édipo que, revoltado, o matou. Então o patrão do cocheiro avançou sobre Édipo, que o matou também. E continuou a viagem.

Chegou a Tebas e encontrou a cidade consternada por dois problemas: o rei tinha morrido e um monstro, a Esfinge, estabelecera-se na porta da cidade propondo um enigma. Como ninguém sabia responder, a Esfinge ia matando um por um. Jocasta tinha oferecido sua mão a quem livrasse a cidade desse monstro.

Édipo foi enfrentar a Esfinge. Era um ser estranho, com corpo de leão, patas de boi, asas de águia e rosto humano. Seu enigma: “O que é que tem quatro pés de manhã, dois ao meio dia e três à tarde?” Édipo respondeu que era o homem, porque engatinha quando criança, passa a vida andando sobre dois pés mas,velho, tem que recorrer a uma bengala. A Esfinge matou-se e Édipo, casando-se com Jocasta, tornou-se o rei de Tebas. Tiveram quatro filhos. Os gêmeos Eteócles e Poliníces, Antígona e Ismênia. Foram felizes durante muitos anos. Mas, depois, uma peste assolou a cidade.

Édipo quis ir consultar Delfos, mas foi aconselhado a chamar Tirésias, um cego sábio que vivia em Tebas. Este revelou que a causa era o assassino de Laios, que continuava na cidade. Édipo prometeu prendê-lo e matá-lo, mas o sábio revelou que ele mesmo era o assassino, porque Laios era o dono do carro que ele enfrentara. Jocasta, envergonhada, suicidou-se. Édipo furou os próprios olhos e renunciou ao trono. Cego, precisou ser guiado por Antígona para ir a Delfos. Aí soube que devia ir a um bosque sagrado, em Colonos, perto de Atenas. Ajudado por Teseu, rei de Atenas, chegou lá. Encontrou um lago, onde tomou banho, e uma caverna, onde penetrou depois de mudar de roupa. Entrou na eternidade.

 

O Enigma

Nessa história ainda há mais um caso interessante: o enigma.

Houve na mitologia antiga muitas e diferentes representações da esfinge. O mito de Édipo, no entanto, sobretudo depois de imortalizado pela tragédia “Édipo rei”, de Sófocles, privilegiou de tal forma uma delas que as demais caíram no esquecimento.

Criatura monstruosa com corpo de leão, cabeça humana e asas, na representação mais comum, a esfinge, monstro devorador, foi um importante tema mitológico nas antigas civilizações egípcia e mesopotâmica. Na Grécia, literatura e arte se inspiraram frequentemente no mito de Édipo e da esfinge. A Esfinge é um ser com corpo de leão, pés de boi, asas de águia e cara de gente (justamente os símbolos dos evangelistas, note bem). A pergunta da esfinge era: “O que é que tem quatro pés de manhã, dois ao meio dia e três de tarde?”

Édipo conseguiu decifrar o enigma, dizendo que era o homem; ele engatinha quando bebê, anda com duas pernas ao longo da vida e precisa de um bastão na velhice. Ao ouvir a resposta, a esfinge, derrotada, jogou-se num abismo.

Mas há mais sentidos: os quatro pés (de boi) falariam de quando estamos presos à terra, numa unidade indiferenciada com a natureza. Os dois pés (de homem) falariam de quando conseguimos “matar o pai” e nos diferenciar como indivíduos independentes (teríamos a força do leão). Os três pés falariam da nossa capacidade de, já independentes, conseguirmos estabelecer um vínculo com o diferente, com o outro, com as origens (teríamos o vôo da águia).

Nosso enigma, para podermos encontrar a Deus, é descobrir o homem, isto é, quem somos nós. Tenho que descobrir e ser quem eu sou. Tenho que descobrir quem são os outros e me relacionar bem com eles, como filhos e criaturas de Deus. Só chega a fazer isso quem consegue ser casto: isto é, quem passa a vida dedicado ao encontro com Deus-Esposo. A plenitude só chega quando, depois de me diferenciar, consigo me relacionar sem perda para mim nem para os outros.

Todas as pessoas podem conseguir, em graus maiores ou menores, diferenciar a si mesmas e se relacionar cada vez melhor com os outros, mas o mais profundo e verdadeiro relacionamento só vem quando alguém se relaciona bem com Deus. Quem está nessa busca, mesmo sem voto, é “casto”.

Dispomo-nos a descobrir nosso verdadeiro eu quando nos abrimos ao abraço de Deus e permitimos que Ele, o Esposo, nos encontre. Costumamos relutar muito para fazer isso, porque sabemos que o eu com que já estamos acostumados não vai resistir. Mas é o único jeito de encontrar o nosso eu de verdade. De fato, nosso problema é o relacionamento correto e vital com Deus. Quem perde Deus, perde a liberdade e o amor verdadeiro. Pode até achar que ama mas, na realidade, está possuindo.

Aqui é preciso lembrar que os povos pagãos já sentiam a necessidade de fazer o caminho da volta e tratavam de mover-se para isso por um verdadeiro terror, como nas tragédias gregas. O povo do Antigo Testamento já tinha a esperança dessa volta, prometida por Deus. Mas foi Jesus quem nos trouxe a certeza de volta e do abraço do Pai que nos espera. Jesus restaurou o caminho porque acolheu a vontade do Pai.

É claro que é em Jesus Cristo que podemos ver Deus de verdade. E também é em Jesus Cristo que podemos ver o nosso eu de verdade.

Quem se coloca diante de Cristo e enfrenta a escuridão interior já está no caminho de volta, porque o olhar de Cristo cura a nossa falsidade. Como disse São Paulo: “Quem está em Cristo é uma nova criatura. A ordem antiga já passou; agora estamos na nova” (2Cor 5,17).

Sem ficar cegos, podemos olhar o Cristo novo que está nascendo em nós.

édipo

Se quiser ler os textos na íntegra:

http://www.franciscanos.net/portugues/livres5.htm

http://www.coladaweb.com/mitologia/esfinge

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