O PÃO QUE DESCEU DO CÉU… (Jo 6,41-51) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

pão q deceu do céuEm seu “discurso eucarístico” (Jo 6), Jesus repete várias vezes a expressão “pão do céu”. Claro, nós, os católicos, logo reconhecemos aqui o Sacramento da Eucaristia, onde Jesus se dá como alimento. No Evangelho, Jesus força um contraste entre outro “pão do céu” – o maná do Êxodo – e sua própria pessoa prometida em alimento do modo mais concreto e cru: “comer minha carne”“Beber o meu sangue”
No entanto, atentos à figura palpável do “pão”, costuma passar-nos despercebido o verbo “descer”. Sem a Encarnação, isto é, a “descida” de Jesus, nós não teríamos esse alimento em nossos altares. Há algum tempo, vários autores espirituais vêm chamando nossa atenção para o despojamento (kênosis) do Verbo, seu caminho descendente na direção da humanidade decaída.
De fato, o Verbo era Deus e, descendo, se faz homem. Como homem, Ele desce mais e se faz servo, lavando os pés dos discípulos na Última Ceia. Prossegue sua “descida” e se faz escravo, morrendo na cruz – pena que não podia ser aplicada contra um cidadão (lembrar que Paulo foi degolado, e não crucificado, pois era cidadão romano!). Morto, Jesus desce ao túmulo. Ressuscitado, desce mais fundo, até o Xeol, a mansão dos mortos, para ali anunciar a Boa Nova aos que tinham vivido em gerações anteriores (cf. 1Pd 3,19; 4,6).
O leitor suspira fundo e diz: “Puxa! Acabou a descida!” Pois se engana, caro leitor: Jesus Cristo não se cansa de descer. Desce agora sobre o altar, bem debaixo de nossos olhos, em um nível ainda inferior, rebaixando-se ainda mais, ao se fazer pão, coisa material, menos que pessoa, para nos alimentar e sustentar…
É o que canta a sequência de Corpus Christi:
“Aquilo que tu não vês, pela fé, que o afirma, crês, superando a natureza. Sob espécies diferentes, sinais apenas latentes, se ocultam coisas exímias. Alimento verdadeiro, permanece o Cristo inteiro, quer no vinho, quer no pão.”
Por muito tempo, andamos iludidos ao considerar a vida cristã como uma heroica escalada até os céus, onde nos encontraríamos com o Senhor. Antigo ícone bizantino mostra a “escada das virtudes”, com 33 degraus que deviam ser escalados até a salvação. No ícone, demônios espetam com garfos os fiéis que tentam a escalada, derrubando-os das alturas. Ora, Deus desceu! Assumiu o ponto mais baixo da História humana, fazendo-se criancinha pequena, frágil, pobre, dependente.
De agora em diante, quem quiser encontrar Deus, terá de descer bem lá em baixo… Ou não o encontrará…

Orai sem cessar: “Senhor, dai-nos sempre deste Pão!” (Jo 6,34)
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