OS CACHORRINHOS TAMBÉM COMEM… (Mt 15,21-28) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

migalhasPara escrever um Evangelho como este, o evangelista precisou converter-se. Afinal de contas, os judeus eram, orgulhosamente, o “povo escolhido”. O único povo que Deus chamara a cultuá-lo de modo especial. O resto? Bem, os estrangeiros (os goyim) eram os cães…
O termo pejorativo e ofensivo se aplicava até mesmo aos soldados romanos que dominavam a Palestina imperial. Não havia escolha: ser judeu ou… o resto.
Pois é do mundo “de fora”, do mundo “sujo”, que surge esta mulher admirável. Vinha da antiga Fenícia, o litoral a oeste de Israel, onde Tiro e Sídon haviam acumulado os frutos do comércio internacional. A indústria da púrpura – corante extraído de um molusco abundante nas águas do Mediterrâneo – cobrira as praias de toneladas de carapaças malcheirosas, que acentuavam ainda mais a “impureza” ritual desses estrangeiros.

Quando a mulher se dirige a Jesus, sabe que está ultrapassando um limiar praticamente intransponível: as barreiras do preconceito. Pede pela libertação de sua filhinha, acossada pelo demônio. Num primeiro momento, Jesus se recusa, pois “o pão era apenas para os filhos”. A mulher insiste, com um misto de humildade e sabedoria: sabendo que não pertence ao povo escolhido, ela não pretende de modo algum o pão dos filhos. Quer apenas as sobras. As migalhas que caem da mesa – isto é o que ela pede para seu filhote.
Caem também as defesas do Mestre: “Mulher, grande é a tua fé! Seja conforme queres!” E de pronto a menina fica livre de seu mal.
Temos aqui uma lição para nossa vida prática! Somos cachorrinhos? Ou somos filhos, pelo Batismo? Se mesmo os cãezinhos acabam por receber alguma atenção do Senhor, que dizer de nós – convidados para o banquete da Eucaristia?
Aliás, cabem outras perguntas: sou frequente à mesa do Senhor? Dou valor a esse festim diariamente preparado para os filhos? Ou ando meio enfastiado, intoxicado por alimentos estranhos?
Seria terrível viver subnutrido, morrer de inanição, tornar-me pasto de demônios, quando o Pão de Vida me é oferecido por Cristo, todos os dias de minha vida!
Orai sem cessar: “Senhor, dá-nos sempre desse Pão!” (Jo 6,34)
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