POR CIMA DAS ÁGUAS… (Mt 14,22-36) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

por cima das águasDescendemos de Adão, aquele que foi modelado da argila da terra. Homem, humano, venho do húmus. Só nos sentimos seguros em terra firme. A água assusta, o mar profundo é imagem da morte.No Evangelho de hoje, ao ver que Jesus caminhava sobre as ondas do lago encapelado, Pedro ousa pedir: “Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas”. É óbvio que o velho pescador sabia muito bem que pedia algo impossível aos homens, mas possível a Deus. Só Deus tinha domínio sobre os elementos: o mesmo que manda a chuva, caminha sobre o mar.
E o Filho de Deus faz o jogo de Simão Pedro: “Vem!” Ao mesmo tempo, pede-lhe um ato de fé e um salto no escuro. Pedro salta e começa a andar, superando os limites de sua humanidade. Mas o vendaval redobra seu estrépito e o discípulo se deixa intimidar. Afundando, pede: “Salva-me, Senhor!”
Aqui estamos diante de um grande mistério: ainda que o poder de Deus esteja de nosso lado, como um vento a favor, o Senhor conta com uma resposta de fé de nossa parte. Se perdemos a confiança, é como se impedíssemos que a graça divina continuasse a nos sustentar.
De fato, podemos cair em dois extremos: de um lado, apostar apenas em nossos dons e capacidades humanos; de outro, duvidar até mesmo do poder de Deus posto ao nosso alcance. Soberba e desconfiança – duas maneiras de afundar…
O caminho de salvação se resume exatamente em desconfiar de nós mesmos e em apostar todas as fichas no amor que o Senhor derrama sobre nós. Como escreveu o apóstolo Paulo, “quando sou fraco, aí é que sou forte”. (2Cor 12,10.) De fato, Deus se compraz em agir por meio de instrumentos frágeis e deficientes, como declarou o Papa Bento XVI ao subir à cadeira de Pedro. Ao contrário, quando um de nós se gloria de suas próprias realizações, como se elas fossem devidas apenas a nosso esforço, inteligência e heroísmo, não demora a ruir o nosso castelo de areia…
A vida é como o mar. O trabalho, a família, a Igreja nos oferecem constantes tempestades. Confiaremos no Deus forte? Ou insistiremos em nos apoiar sobre nossas falsas seguranças?

Orai sem cessar: “Salva-me, ó Deus: a água me chega até a garganta!” (Salmo 69,2)

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