AMAI OS VOSSOS INIMIGOS! (Mt 5,43-48) – Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança

CRISTOOs amigos, nós escolhemos. Os inimigos, não. Muitas vezes, já nascemos com inimigos de plantão. Perguntem à criança palestina, cujo pai morreu antes que ela nascesse, fuzilado por uma patrulha israelense… Perguntem ao menino negro do Sul dos EUA, que não podia sentar-se no ônibus se houvesse brancos na mesma viagem… Perguntem à jovem croata, cujo filho nasceu depois de ser estuprada por um soldado sérvio com a intenção de levar a mulher a gerar um inimigo…
Aí, vem o Senhor Jesus – aquele mesmo que mataram em uma cruz – e diz-nos com voz suave e firme: “Amai os vossos inimigos!” Ah! Parece impossível! Fazer como Estevão, o primeiro mártir, que rezou enquanto era lapidado: “Senhor, não lhes leves em conta este pecado!” (At 6,60.)
Bem, pode não ser fácil. E não é mesmo. Mas Jesus Cristo jamais nos pediria algo impossível. Ele não nos daria preceitos absurdos! Parece que o Mestre tem algo em mente, um elevado ideal a ser perseguido por todos nós. É como se ele dissesse: “Afinal, vocês querem, ou não, ser filhos do Pai do Céu? Ele, o Pai que faz o sol nascer para todos – os justos, seus amigos, e os injustos, seus inimigos! Aquele que manda a chuva cair no quintal de uns e de outros, igualmente…” E Jesus arremata, pensando na pessoa que ainda podemos ser: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste!”
Então é isto! O Pai celeste não conhece o ódio. Ele não sabe retribuir ódio com ódio. Ele é todo amor. Se nosso coração ficar igualmente cheio de seu amor, também esvaziaremos o ódio de nosso interior. Se o Espírito de Deus mover nossas emoções e sentimentos, então os nossos atos serão também marcados pelo amor.
Alguém dirá: Você não conhece meu patrão! Você não conhece meu vizinho! Você não conhece minha sogra! E eu direi: Sim, não OS conheço. Mas eu ME conheço. Sei de meus defeitos. Sei de meus pecados. E preciso ser perdoado e amado, senão minha vida será um inferno. E se eu preciso de perdão e de amor, como poderia negar o mesmo amor e o mesmo perdão aos outros?
Bem, vamos fazer um reparo… O cristão não tem inimigos. Pode ser perseguido, caluniado, martirizado, mas se recusa a classificar seu algoz como inimigo. Afinal, se o martírio nos abre a porta do céu, nosso carrasco nos faz imenso bem! E os pequenos algozes de cada dia, aqueles que nos fazem sofrer de mil maneiras, também eles colaboram para nossa santificação. Logo, não são inimigos, são colaboradores…
Talvez devamos começar por algo bem prático: a quem eu devo perdoar, para merecer o nome de filho de Deus?

Orai sem cessar: “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem!” (Lc 23,34)

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