O QUE DEUS PAI DIZ SOBRE A EUCARISTIA? – Trechos de “O Diálogo”, Sta. Catarina de Sena.

SOL“(…) o corpo do meu Filho  é um sol. Um sol indivisível: onde está o corpo, aí se encontra o sangue; onde estão o corpo e o sangue, aí se acha a alma de Cristo; e onde estão o corpo e a alma, aí se encontra a divindade. A natureza divina de Cristo jamais abandonou a natureza humana; nem a morte as separou. Desse modo, é toda a essência divina que recebeis nesse dulcíssimo sacramento, sob as espécies do pão.  Como o sol não pode ser desintegrado, da mesma forma não se divide o todo-Homem e todo-Deus na brancura da hóstia. Suponhamos que a partícula seja subdividida; mesmo que se obtenham milhões de pedacinhos, em cada um deles está o todo-homem e todo-Deus. Como acontece num espelho quebrado, no qual a imagem quebrada se mostra inteira, assim o todo-homem e o todo-Deus está todo em cada parte da hóstia. (…)

Igualmente ele não diminui, à semelhança da chama no exemplo que segue: se tivesses uma labareda e todos os homens se reunissem nela para acender alguma coisa, ela não diminuiria e todos a teriam por inteira. Certamente um levaria consigo mais que outro, conforme a matéria inflamável que trouxesse.  (…) O mesmo acontece com as pessoas que recebem o sacramento eucarístico, ao se apresentarem com a ‘vela’ do desejo santo, pelo qual comungam. (…)

(…) Como disse, vossa alma ficará acesa com maior ou menor intensidade, de acordo com as disposições com que se apresentar (…). (…) cada um pode crescer no amor e na virtude, conforme minhas disposições e os próprios esforços. (…) Pela atividade livre, cresceis no amor; podeis fazer isso durante toda a vida, progredindo na caridade. Depois da morte, não.

É com tal amor que deveis aproximar-vos do sol eucarístico. Entreguei-o aos ministros, para que vo-lo distribuam como alimento; vosso proveito dependerá do desejo com que vos apresentais. (…) supondo-se que não haja algum impedimento de vossa parte e da parte do ministro, participareis da luz e graça do sacramento na medida de vosso desejo santo. Quem se aproximasse em pecado mortal, nenhuma graça receberia, embora acolha em si o todo-Deus e todo-Homem.

(…) A luz sacramental, cheia de calor e claridade, nunca se empobrece; nem pela falta de amor do comungante, nem pelos seus pecados, nem pelos pecados do ministro. Como afirmei, a luz do sacramento assemelha-se ao sol, o qual ilumina objetos imundos e não se contamina, jamais perde o seu fulgor, jamais se extingue. Mesmo que o mundo inteiro se alimente na luz e no calor deste sol. Ao ser distribuído pela jerarquia da santa Igreja, meu Filho não se afasta de mim, Pai e sol eterno. Ele continua sempre o todo-Deus e o todo-Homem perfeito, à semelhança daquela labareda de que falei no exemplo. Mesmo que a humanidade inteira venha acender-se na sua luz, todos os homens receberão sua luz inteira, e ela intacta permanecerá.

(…) fixa teu pensamento no abismo do meu amor. Todo homem deveria sentir o coração inflamado de caridade ao considerar, entre os outros favores meus, o benefício deste sacramento! Com que olhos (…) tu e os demais deveríeis ver e tocar este mistério! Quero dizer ‘ver’ e ‘tocar’ não apenas materialmente. Aqui, pouco valem os sentidos externos. O olho vê unicamente um pãozinho branco; a mão, ao tocar, nada percebe de mais profundo; o paladar sente só o gosto do pão. Enganam-se os pobres sentidos! Não se enganem, porém, os sentimentos do coração. Que o homem não queira enganar-se; que ele não recuse a luz da fé através do pecado da infidelidade. É pelo sentimento interior que o homem saboreia este sacramento; ele somente é visto pela inteligência iluminada com a fé. Somente esta enxerga na hóstia branca o todo-Deus e o todo-Homem, a natureza divina unida à humana, o corpo, a alma, sangue de Cristo; sua alma unida ao corpo, o corpo e a alma unidos à divindade!

(…) [A fé] deve constituir o principal modo de conhecer a eucaristia, pois não se engana. É na fé que haveis de contemplar este sacramento. E como tocá-lo? Pelo amor! É a caridade que alcança a realidade que a fé percebe. Ela é a ‘mão’ com que se toca este mistério, como que para se ter certeza da verdade conhecida intelectualmente. Por fim, quem o saboreia? O ‘paladar’ do desejo santo! Sensivelmente, a língua sente o gosto de pão, mas o paladar da alma percebe o Homem-Deus. Enganam-se os sentidos corporais, não os sentidos da alma. Estes até confirmam e esclarecem o que a inteligência aceita pela virtude da fé.

Pela fé, o homem vê e conhece; o amor toca experimentalmente; o desejo santo saboreia no paladar da alma. Esse desejo nada mais é que o meu amor, aquele amor que tornou o homem digno de receber o grande mistério deste sacramento e sua graça. Como vês, não haveis de olhar para a eucaristia só com os sentidos corporais, mas com os sentidos do coração. É pelo amor que o homem há de pensar, acolher e saborear a eucaristia.

(…) considera como é grande a pessoa que recebeu o pão da vida, o alimento dos anjos, com as devidas disposições. Ela permanece em mim e eu nela, como o peixe está no mar e o mar no peixe. Ao desaparecerem os acidentes do pão, deixo na alma a marca da minha graça, como acontece com o sinal do sinete na cera quente. Permanece no homem a virtude deste sacramento, ou seja, o poder da minha caridade, a clemência do Espírito Santo e a sabedoria do meu Filho. Ao participar do meu poder, a alma se fortalece contra as tendências da sensibilidade, contra os demônios e contra o mundo. Sim, retirado o sinete, fica gravado o sinal. Por outras palavras: uma vez consumidos os acidentes do pão, aquele verdadeiro sol retorna à sua esfera − da qual, aliás, nem se tinha separado porque constitui uma só coisa comigo. Foi com amor abissal que minha providência vos deu meu Filho como alimento, no intuito de vos salvar e alimentar durante esta vida de peregrinos e viandantes, de saciar a vossa sede e recordar-vos sempre o benefício da paixão.

Considera, pois, quão grande é a vossa obrigação de me amar. Sou a verdade eterna, imensamente digna de ser amada e vos amo tanto! “

Fonte: “O Diálogo”, Santa Catarina de Sena, Ed.Paulus, 6ª edição, págs.230-5. 

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