DEBUTANDO (E VALSANDO) NO ANIVERSÁRIO DE JOÃO PAULO II – Texto de Anderson Dideco.

papa18 de maio de 1997. Há exatos quinze anos, este articulista que vos escreve fez seu primeiro movimento na direção de Deus. Penso que eu não sabia, então, mas nessa data o nosso amado Papa João Paulo II, hoje Beato, comemorava seu aniversário natalício. Mais tarde, ao tomar conhecimento dessa feliz coincidência, não pude deixar de me alegrar que o meu passo inicial de conversão fosse um presente do Senhor àquele santo homem. (Afinal, o que pediria um Papa de presente a Deus senão a conversão dos homens?)

Passado este simbólico tempo (quinze anos, tão significativo!), ainda lembro com muita clareza: era eu um jovem insatisfeito que ia estrear uma peça de teatro naquele dia, à tarde. Era Domingo de Pentecostes, e uma colega de elenco, católica, comentara muito satisfeita o fato de nossa estreia calhar com aquela data de profundo significado cristão. Que, como está claro, eu ainda não compreendia. Pedi-lhe explicações, e ela falou sobre aquela efeméride litúgica com tamanha beleza e poesia (era o que eu podia alcançar, naquele momento) que me encantei.

Decidi que iria à Missa, naquela manhã de domingo. Movia-me um desejo vago de bênção para a estreia vespertina de nosso espetáculo. Paralizava-me, entretanto, a falta de hábito eclesial, uma certa vergonha de não saber sequer como me portar no ambiente da Igreja. O máximo que já frequentara de celebrações religiosas, até ali, resumia-se a poucos batizados e missas de formatura de alguns conhecidos. Sempre por formalidade social, nunca por convicção ou (mal sabia o que era isso!) fé.

Mas não naquela ocasião. Pela primeira vez, uma espécie de ‘chamado interior’ (do que depois fui compreender que, de fato, se tratava) é que me impelia a vencer os escrúpulos internos e as tentações exteriores − como a deliciosa série ‘Maré Alta’ que o SBT exibia e eu não gostava de perder na tevê, nos domingos de manhã − para seguir aquela moção inicial e participar, afinal, da Celebração Eucarística.

Por ser de uma família não religiosa, nem sequer fizera catequese para a Primeira Comunhão. Limitei-me, portanto, a sentar-me próximo do diretor do espetáculo, que era também católico e frequentava a paróquia perto da minha casa, e tentar imitar-lhe os gestos, sem muita precisão. Sem dúvida, nem precisava. Bastava que ali estivesse, contemplando entre curioso e maravilhado, os sinais e símbolos que já me acenavam com as “coisas maiores do que estas” que me seria dado ver, caso perseverasse.

Com a graça de Deus (que me alcançou ao final do ato litúgico e fez-me, confuso, arrepender-me de um pecado algo grave que trazia na consciência), perseverei. Tenho perseverado. Quinze anos se passaram, desde aquele Domingo de Pentecostes. Águas diversas, decerto, passaram por debaixo da ponte. Em algumas me deixei levar, de enxurrada; a pé enxuto atravessei as que, porventura, se abriram para minha passagem; sobre outras caminhei, olhos fixos no Mestre. Quando quase me afoguei, estendi a mão ao Senhor, que se deu a conhecer a mim, a partir daquela manhã inesquecível.

Demorei para firmar-me na caminhada. Só em setembro daquele ano, num Curso de Discpulado, no Sítio do Seminário, pude enfim compreender o passo que precisava dar em seguida, para continuar empreendendo aquela busca sem me desviar ou me perder: preparar-me para receber o Corpo de Cristo. Mas esta é outra (longa) história. 

Guardo, no entanto, esta data de hoje (18 de maio) como o dia de comemorar um especialíssimo encontro. Pois, na verdade, bem ao contrário do que eu − na minha ignorância, àquela altura inculpável  − pensava, não fui eu que nesse dia dei meu primeiro passo em direção a Deus. Ele, sim, resolveu que era hora de se mostrar a esse servo inútil; Ele mesmo “preparou de antemão” aquele Pentecostes particular, só pra me receber. De volta, já que sempre pentecera a Ele, sem o saber.

Agora, peço licença a todos, que este ‘debutante’ tem uma valsa pra dançar: ouço já os primeiros acordes…

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