DEUS PAI A CATARINA DE SENA: “Compreensão da caridade de Cristo” – Trechos de “O Diálogo”.

sangue“Disse que o sinal indicador de que alguém superou a imperfeição e atingiu o amor perfeito é a ‘saída de si mesmo’. Presta atenção e considera como essas pessoas caminham rápidas pela ponte-mensagem de Cristo crucificado, que foi na terra vossa norma, caminho e verdade. Elas não me olham à maneira dos imperfeitos. Estes, como temes os sofrimentos, amam-me porque em mim não acham a dor. Na realidade não procuram a mim, mas querem as consolsações que em mim encontram. Os perfeitos agem de outro modo; como que embriagados e inflamados de caridade, percorrem os três degraus por mim simbolizados antes nas três faculdades da alma, e que agora apresento na figura do corpo de Cristo crucificado: subiram aos pés de Cristo pelo duplo amor da alma e chegaram ao costado, onde descobrem o ‘segredo’ do coração e o valor do batismo na água. Compreendem que este alcança seu valor no sangue de Cristo, pois pela graça batismal a alma fica unida e amalgamada no sangue.

Sim, é no costado de Cristo que o homem entende essa realidade; é aí que ele toma consciência da gandeza do amor divino. Se bem te tembras, foi quanto te mostrou certa vez, meu Filho Jesus. Tu lhe perguntaste: ‘Ó Cordeiro bondoso e imaculado, já estavas morto, quando te abriram o costado. Por que razão quiseste que teu coração fosse ferido e aberto?’ Ele respondeu:

‘As razões são muitas. Vou dizer a principal. Meu amor pela humanidade é infinito, mas o sofrimento não o era. Desse modo, o padecimento corporal não era capaz de revelar meu amor sem medidas. Foi para que se manifestasse esse segredo do coração, que o costado foi aberto. Com isso, compreenderíeis mais de quanto dizia o sofrimento externo. Quando permiti que jorasse sangue e água (Jo 19,34), fiz ver que o batismo na água recebe sua força na paixão. Existem dois modos de se ‘batizar’ no sangue: o primeiro é o daqueles que derramam seu sangue por mim; tal batismo vale, mesmo que não seja possível batizar-se na água. O segundo, é o batismo feito no fogo, pelo desejo não realizado de receber o batismo na água; também neste caso só se dá o batismo na virtude do sangue e do amor que se entrelaçam, pois o sangue foi derramado por amor. Um terceiro modo de batizar-se no sangue − mas em sentido figurado  − foi providenciado pelo Pai, o qual reconhece a fraqueza humana. Costuma o homem cair em pecado mortal em bora nenhuma força externa, graças à sua liberdade, o possa obrigar, incluindo a própria fraqueza. Pelo pecado mortal a pessoa perde a graça batismal; como remédio, o Pai deixou a penitência, que constitui um perene batismo no sangue. Ela é recebida mediante a contrição e confissão dos pecados aos ministros; possuindo a chave do sangue, eles, pela absolvição, o dereramam na face da alma. Sendo impossível a confissão, basta a contrição interior, pois com ela o meu Espírito vos dá o perdão. Mas se a confissão for possível, quero que a façais; não recebe o perdão aquele que, podendo fazê-lo, não a procura. É verdade que poderá obter o perdão no último instante da vida aquele quer desejar confessar e não o conseguir; mas ninguém será tão louco para confiar nessa possibilidade, deixando para resolver seus problemas na hora da morte. Ninguém pode ter a certeza de não cair na obstinação, de modo que por justiça eu lhe diga: ‘Não lembraste de mim durante a vida, no tempo oportuno; também eu não me recordo de ti na hora da morte’. Portanto, não se deve deixar para depois. e se alguém de vós retardou (a penitência) por imperfeição, não deixe tal abismo para o derradeiro momento. Como vés, a penitência é um ‘batismo’ perene. Nele o homem deve ir-se batizando até o fim da vida. A confissão manifesta como a minha morte na cruz foi um ato finito, mas com efeitos infinitos para vós. Qual Verbo encarnado, eu suportei o sofrimento; pela união das duas naturezas, a divindsade eterna assumiu tudo o que padeci com imenso amor. Neste sehntido, pode-se afirmar que minha dor foi infinita, embora não tenham sido assim a dor corporal e a pena do desejo que eu tinha de remir o mundo, pois cessaram com a morte. Quanto ao perdão, fruto daquele sofrimento, foi infinito e como tal o recebeis. Em caso contrário, a humanidade presente, a passada e a futura ainda estariam no seu pecado, e pecador algum receberia o perdão. Eis quanto eu manifestei na chaga do meu peito, no momento em que compreendeste o segredo do meu coração.Fiz ver que meu amor por vós é mais profundo de quanto possa indicar a dor passageira. Aliás, minha misericórdia continua a revelar-se através da confissão, este ‘batismo’ no sangue que deveis receber com amor, visto que por amor foi versado. O mesmo acontece com o batismo da água, oferecido a quantos o querem ter, pois a água está unida ao sangue e ao fogo do amor. Por ocasião do batismo de água, a alma reveste-se de sangue; é o que fazem ver o sangue e a água que escorreram do costado aberto’.”

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