UM ENSINAMENTO DIFERENTE – Texto do Pe.Paulo Bazaglia, ssp.

Farisaismo o principado da religiosidade_A primeira ação pública de Jesus no Evangelho de Marcos acontece na sinagoga de Cafarnaum, com a expulsão de um espírito impuro.

Por duas vezes o texto mostra as pessoas admiradas com o ensinamento de Jesus: um ensinamento com autoridade, ou seja, feito por quem sabia muito bem do que estava falando, definitivamente diferente do ensinamento dos escribas, os entendidos na lei de Deus.

Agindo com o Espírito divino, Jesus ensina tocando as pessoas nas situações concretas da vida. O ensinamento dos escribas apresentava regras e teorias sobre um deus que separava as pessoas em puras e impuras, em agraciadas e malditas, em boas e más. Em vez disso, Jesus ensina agindo. Ele não faz teologia, não explica teorias sobre Deus. Agindo em favor das pessoas é que Jesus ensina quem é Deus.  

No  episódio de hoje (4° Domingo comum), a ironia do evangelho é mostrar que o espírito imundo que Jesus expulsa daquele homem representa a própria lógica e esquema mantidos pelos escribas. Uma lógica que exclui as pessoas, que não permite que elas sejam livres, que se encontrem com um Deus infinito de amor e perdão. A estrutura mantida pelos escribas deseja ter o controle da ação de Jesus, chamando-o pelo nome. Não é de estranhar, portanto, que esse espírito impuro esteja dentro da própria sinagoga em dia de sábado, em espaço sagrado num tempo sagrado.

Mas é Jesus quem tem a autoridade de Deus. E o temem todos os poderes do mal, também os poderes disfarçados de ensinamento religioso. E, nesse sentido, basta pensar no fanatismo hoje alimentado em tanta gente de fé, explorada em suas misérias e mantidas refém de seus medos.

O ensinamentodiferente de Jesus nos garante que ele tem poder de agir sobre todas as forças do mal. Seguir hoje este mestre de Cafarnaum, “o santo de Deus”, é deixar-se tocar por sua ação. Pois é sua ação que continua a nos ensinar como é fundamental expulsar de nós e de nossas comunidades todo espírito de divisão e exclusão.

Fonte: Folheto ‘O Domingo’ – Semanário Litúrgico-Catequético, Ano LXXX – Remessa II – 29.01.2012 – nr.05, Ed.Paulus. (O grifo é nosso).

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