OS (NOVOS) “FILHOS DO TROVÃO” – Texto de Anderson Dideco.

Tiago e João, apelidados por Jesus como ‘os irmãos Boanerges’ − filhos do Trovão − continuam, nos tempos de hoje, querendo que Deus mande “um raio do céu” que extermine seus inimigos.

É fácil logo pensarmos nos bushes, husseins, bin ladens e kadaffis de plantão − sempre tem algum, né? Mas o fato é que estes (e outros) ‘senhores da guerra’ não mudariam de ideia a uma simples repreensão do Mestre.

Ocorria-me, por outra, pensar nos que se dizem seguidores do Cristo, tais como os dois personagens mencionados pelo Evangelho de hoje (Lc 9, 51-56), e que no entanto também têm dessas tendências, digamos,  ‘pirotécnicas’.  

Dentro da Igreja e fora dela, ainda não compreendemos “de que espírito somos”, como lamentará Jesus. Aos que não nos seguem, “não andam conosco”  − dizia o trecho do Evangelho de ontem, Lc 9, 46-50  − preferiríamos negar-lhes os milagres que acaso realizem, em nome de Jesus, ou (mais garantido!) exterminá-los de uma vez por todas com “um raio vindo do céu”.

Se tal atitude nos entristece (embora não nos cause estranheza) quando vinda daqueles que “não conhecem o Pai” e, portanto, não comungam o Filho − que dirá quando, para nossa surpresa, parte dos que deveriam formar entre si um só corpo, já que comem do mesmo pão!

Que os que estão no ‘mundo’ nos persigam e caluniem, não compreendam nossa doutrina e digam de nós toda espécie de mentira, isso nos será motivo de grande bem-aventurança, como o Senhor mesmo ensinou. Mas que digam tolices, aprovem aberrações, concordem com detratores e denigram a imagem da Igreja aqueles que se beneficiam de seus sacramentos de salvação − ah!, aí já é causa de escândalo, eu diria.

Porém, é o que mais se vê. Católicos (ou que usam indevidamente este nome) que se dizem contra o Papa, a favor do aborto, dos preservativos e contraceptivos (sem nem procurar conhecer o assunto pelo parecer da Igreja a que dizem seguir!); que compactuam com a aprovação de legislações contrárias à doutrina desta Igreja; que negam ou duvidam de dogmas fundamentais, que o Magistério estudou e declarou há muitos séculos como verdade… Enfim, é de chorar de dó.

Ignorar certas coisas não seria um pecado grave, se não tivéssemos acesso, hoje, a tanta informação − pelos mais variados e potentes meios de divulgação e comunicação. Se não tivéssemos como nos inteirar sobre a fé que adotamos como nossa, estaríamos previamente absolvidos dessa falta de conhecimento. Mas esta é considerada ‘culposa’ quando não houve, de nossa parte, o interesse em buscar as fontes para diminuir ou dirimir nossa ignorância.

Veja bem: não vá eu ser confundido com um ‘Boanerge’! Não estou eu querendo dizimar pelo fogo quem não creia no que tenho a graça de crer. Ninguém está obrigado a ser católico, ou a professar a fé em qualquer filosofia ou religião, das tantas que existem (moldadas à conveniência dos homens) na face da Terra.

Digo apenas que, uma vez que decidimos – livremente – abraçar esta ou aquela, seria de bom alvitre que a procurássemos conhecer, para amá-la e respeitá-la, e mesmo defendê-la de seus perseguidores. E não nos ‘juntar a eles’, tornando-nos às vezes inimigos mais temíveis que os que vêm ‘de fora’!

É bem sabido o dístico que afirma: “não se ama aquilo que não se conhece”. E é por não buscar aprofundamento nas razões que motivam nossa fé que acabamos nos ‘excomungando’ sem perceber. Porque − que ninguém se engane: não é necessário nenhuma autoridade da Igreja declarar ‘em público’ a minha excomunhão para que ela exista; basta que eu comungue sem crer naquilo que a Igreja ensina.

Somos nós, com nossa teimosia e soberba, que atraímos o raio da ira divina sobre nós; nem precisa que ninguém os lance sobre a nossa cabeça, como uma ‘punição’!

Que diferentes as reações daqueles que conhecem a Verdade, e buscam amá-la e anunciá-la, e os que apenas a negam sem sequer entendê-la! Ante uma mesma declaração do nosso Sumo Pontífice – para citar um único exemplo: uns tantos protestam e o rejeitam, incitados quem sabe por muitos (de)formadores de opinião, que manipulam veículos e notícias de acordo com os interesses escusos que regem seus desígnios gananciosos e de manutenção do poder; enquanto isso, há os que percebem o ‘jogo’ falacioso por trás da maneira de abordar um tema ou de divulgar um fato, e somente riem de que se enganem a si mesmos!

Porque a justiça de Deus prevalecerá, e a Verdade que liberta um dia será propagada aos quatro ventos. Enquanto nos perseguem e falam todo mal contra nós, devemos seguir intercedendo para que se convertam e salvem estes mesmos que querem nosso mal. Torcer que, pra eles, se cumpra em breve a palavra da 1a leitura da liturgia deste dia, retirada do livro de Zacarias: “Naqueles dias, dez homens de todas as línguas das nações agarrarão um Judeu pelas vestes, dizendo: ‘Nós iremos contigo, porque ouvimos que Deus está convosco’!” (Zc 8, 23)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s