SILÊNCIO INTERIOR – Texto de Anderson Dideco.

“(…) E depois do terremoto um fogo, mas Iahweh não estava no fogo; e depois do fogo, o ruído de uma leve brisa.” (I Rs 19, 12)

Nesta primeira leitura do 19º Dom. do Tempo Comum, vemos o profeta Elias escondido numa gruta, com medo dos inimigos que o querem exterminar. A situação de perseguição o leva a buscar a presença do Senhor, pela oração.
Diz uma nota da Bíblia de Jerusalém, acerca dessa expressão “leve brisa”: ‘o murmúrio de um vento tranquilo simboliza a intimidade de sua conversa [de Deus] com seus profetas, mas não a doçura de sua ação: as ordens terríveis dadas nos vv. 15-17 (conferir) provam a falsidade desta interpretação todavia comum’ (Bíblia de Jerusalém, Ed.Paulus, 4ª reimpressão, 2006, pág.499). Explica ainda que ‘Furacão, terremoto, relâmpagos, que manifestavam em Ex 19 a presença de Iahweh, aqui são apenas os sinais precursores de sua passagem’.
Deus quer falar na intimidade de nossos corações. Mas é necessário que o busquemos, que não nos escondamos dEle, nas “fendas da rocha”, que não temamos as tribulações que decerto serão dirigidas pelos inimigos a todos aqueles que, como Elias, se consomem de “ardente zelo por Iahweh dos Exércitos” (cfr.v.10).
A voz do Senhor interpela os profetas que se escondem, repetindo a nós, como o faz a Elias:“‘Que fazes aqui…?’ ” (vv.9b.13b). É como se dissesse: pára de te esconder − exortação que, aliás, ressoa desde o Paraíso, onde um Adão já decaído e envergonhado permanecia “na moita”, enquanto o Senhor passeava na “brisa (olha ela aí de novo!) da tarde”.

“Ouvirei o que Iahweh Deus diz… O Próprio Iahweh dará a felicidade, e nossa terra dará seu fruto. A Justiça caminhará à sua frente, e com seus passos traçará um caminho.” (Sl 85(84), 9a.13-14)

É no silêncio interior, no coração que se acostuma a ouvir a voz mansa do Senhor, que podemos discernir os caminhos retos, justos, que Ele mesmo irá traçar, a nos encaminhar à felicidade, e para que nossos planos e projetos (fecundados pelo Espírito) dêem fruto abundante.
Se o ouvimos, não tememos deixar a segurança das “grutas” (ou dos “barcos” − vide Evangelho Mt 14, 22-33) para trilhar esses caminhos. Ao contrário, seremos nós que, revestidos da ousadia do Espírito Santo, pediremos como Pedro, no Evangelho: “‘Senhor, se és tu, manda que eu vá ao teu encontro sobre as águas’.” (Mt 14, 28).
E nem sequer os ventos impetuosos e as ondas encapeladas poderão nos fazer temer e afundar. Pois, ainda que o que nos peça o Senhor pareça humanamente impossível (como àquele pescador, acostumado à inconstância do mar, deve ter parecido a ordem de vir andar sobre as ondas), ainda assim a Sua voz que acalma ventos e tempestades nos garantirá: ” Tende confiança, sou eu, não tenhas medo!’ “.
Perante essa voz, e a certeza de Sua mão estendida para nós no caso de ‘perdermos o pé’ e engolirmos alguma água, só nos resta caminhar, cantando: “Quero caminhar contigo / como discípulo, / te acompanhar… / Vale a pena / deixar tudo / pra te seguir, Senhor!”

Estaremos hoje dispostos a seguir o Senhor, ouvindo-O e obedecendo-Lhe as ordens, sem temores infundados, mas confiantes e seguros de Sua fidelidade e Sua presença? Dispostos a abandonar os barcos, ou as grutas que nos oferecem falsa segurança com a convicção de Paulo, de que Cristo é “Deus bendito pelos séculos!” (cfr. Rm 9, 5)?
Estamos conscientes de que se o seguimos “sobre as águas”, guiados por Sua mão, de olhos fixos no Seu olhar, ele aproveita a travessia para alcançar aqueles irmãos que estão longe de Seu caminho, ou fora de Sua barca?

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